Israel denuncia acordo do TNP como ''hipócrita''

Israel, considerado como a única potência nuclear do Oriente Médio, denunciou ontem "a hipocrisia" do acordo da conferência sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. O texto citou explicitamente Israel, mas não o Irã, dizendo que o Estado judeu deve aderir ao tratado e pôr fim a suas instalações nucleares.

AP, AFP e NYT, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2010 | 00h00

"Esta resolução é profundamente hipócrita e mal feita. Ignora as realidades do Oriente Médio e as verdadeiras ameaças que a região e o mundo inteiro enfrentam", indicou um comunicado do governo do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que está em visita ao Canadá. Israel nunca negou nem admitiu que possua armas nucleares, mas especialistas estimam que tenha até 300 ogivas.

Na sede da ONU, em Nova York, 189 países assinaram na sexta-feira o texto reafirmando seu compromisso de eliminar todas as armas nucleares e definindo 2012 como nova data para a realização de uma conferência regional para eliminar do Oriente Médio todo o armamento não convencional.

Esta meta foi considerada o feito mais marcante das negociações, além da reafirmação da premissa básica do tratado. As conferências de revisão são realizadas a cada 5 anos, e a última delas, em 2005, terminou sem acordo, mostrando a dificuldade de superar o abismo entre os países dotados de armas nucleares e aqueles que não dispõem delas.

Levando-se em consideração as realidades tensas no Oriente Médio, funcionários de alto escalão e diplomatas dos governos envolvidos disseram estar surpresos com a convocação de tal conferência.

Nos últimos dias do tenso período de negociações, EUA e Irã blefaram na tentativa de responsabilizar um ao outro pelo eventual fracasso da conferência. No fim, os EUA aceitaram a inclusão de uma referência a Israel no documento final. Ontem, o presidente americano, Barack Obama, saudou o acordo, mas criticou a menção a Israel. Ele disse que o documento inclui "passos práticos para fazer avançar o desarmamento nuclear e o uso pacífico da energia.

O texto enfatiza também a necessidade de respeitar os parâmetros do tratado em relação à abertura dos programas nucleares de cada país às inspeções internacionais, propondo que aqueles que se neguem a fazê-lo sofram consequências. Tais medidas devem fortalecer a posição do Conselho de Segurança no impasse atual sobre possíveis sanções ao Irã, que nega as acusações de estar desenvolvendo armas nucleares.

Apesar da referência à Coreia do Norte, cujo programa nuclear é citado como "ameaça à paz e à segurança", a condenação não foi tão enfática quanto a proposição inicial.

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