Israel denuncia contrabando de armas do Egito para Gaza

O chefe do Serviço Geral de Segurança israelense (Shin Bet), Avi Diskin, denunciou no Parlamento um grande aumento do contrabando de armas e munição do Egito para a faixa autônoma de Gaza, aparentemente através de túneis subterrâneos.O jornal "Ha´aretz" informa hoje que o chefe do serviço secreto revelou que desde que o Exército israelense se retirou de Gaza, em 12 de setembro de 2005, onze toneladas de dinamite, cerca de dez mil fuzis automáticos, 1.600 pistolas, 65 lança-foguetes, 450 lança-granadas e mísseis entraram nos territórios palestinos, procedentes da península egípcia do Sinai.Diskin, que apresentou o relatório à Comissão Parlamentar para Assuntos de Segurança, não especificou se esses materiais foram introduzidos nos territórios pelos túneis, que ligam a cidade de Rafah, no sul de Gaza, ao deserto egípcio do Sinai.O jornal afirma que as autoridades egípcias informam quase semanalmente à Autoridade Nacional Palestina (ANP) e a Israel acerca dos túneis em operação na região, pertencentes a clãs familiares que chegam a investir até US$ 150 mil para cavá-los, e que são destinados ao contrabando em geral, não só de armas.A informação de hoje coincide com outra notícia divulgada pelo jornal de Tel Aviv sobre o recrutamento recente de quatro mil jovens palestinos pela Segurança Preventiva, organismo controlado pelo Fatah e leal ao presidente da ANP, Mahmoud Abbas.Segundo o jornal israelense, trata-se de forças para o caso de um confronto armado com as Brigadas de Izz al-Din al-Qassam, braço armado do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).No entanto, representantes do Hamas e do Fatah, segundo fontes do Conselho legislativo palestino, parecem estar prestes a fechar um acordo de caráter nacional para pôr fim a suas disputas.Segundo a imprensa árabe, o acordo incluiria a substituição do Governo do primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, por outro de tecnocratas independentes.Cerca de 2.500 dos jovens recrutados se apresentaram como voluntários para as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa e a milícia de Al Asifa, que atua no sul de Gaza, ambas vinculadas ao Fatah, principal rival dos fundamentalistas do Hamas.O incentivador da incorporação desse pessoal às milícias do Fatah e ao Serviço Preventivo de Segurança da ANP é o ex-chefe do órgão, o coronel Mohammed Dahlan, que foi substituído pelo coronel Rashid Abu Shabak, atualmente assessor de segurança de Abbas.Nas últimas semanas, efetivos desse organismo oficial e da milícia do Hamas protagonizaram graves incidentes violentos nos quais mais de vinte combatentes morreram, reflexo das divergências entre Abbas e o primeiro-ministro Haniyeh.O Hamas exigiu no sábado, através de panfletos distribuídos em Gaza, uma investigação parlamentar devido a notícias de que o presidente Abbas recebeu esta semana mais de mil fuzis da Jordânia para protegê-lo dos fundamentalistas.Os fuzis, M-16 de origem americana, foram entregues a sua Guarda Presidencial com a aprovação do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, já que a carga atravessou a passagem fronteiriça de Allenby, na Cisjordânia, sob controle do Exército de Israel.Em seus panfletos, o Hamas acusa Abbas, a Jordânia e Israel de "fomentar uma guerra fratricida entre os palestinos".A Corte Suprema de Israel rejeitou na quinta-feira três ações contra o Governo de Olmert por autorizar a transferência dos M-16 à Guarda do presidente palestino, que negou no sábado à noite ter recebido esse armamento.Fontes da Presidência palestina se limitaram a informar que, de vez em quando, os organismos de segurança da ANP devem renovar seu armamento e seus equipamentos.

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