Israel descarta trégua de 72 horas proposta pela ONU

Israel descartou neste sábado uma trégua de 72 horas no Líbano, proposta pelo coordenador de ajuda humanitária da ONU, Jan Egeland, para retirar os feridos e transportar víveres e medicamentos à zona do conflito. "Israel não pode aceitar um cessar-fogo com o Hezbollah porque essa organização terrorista pode aproveitar a ocasião para concentrar civis nas zonas de combate e utilizá-los como escudos humanos", disse uma fonte do Ministério de Relações Exteriores israelense.Avi Pazner, um porta-voz israelense, acrescentou que Israel já abriu corredores no Líbano para transporte de carregamentos de ajuda humanitária e que o Hezbollah estava bloqueando-os para criar uma crise humanitária.A decisão de Israel gerou protestos. O ministro das Relações Exteriores da França, Philippe Douste-Blazy, criticou a posição israelense. ``Eu lamento profundamente´´, disse o ministro, que pretende reapresentar o pedido de trégua a ONU.Ajuda humanitáriaMesmo com os ataques, equipes de ajuda humanitária continuam a chegar por mar e ar neste sábado para ajudar milhares de pessoas forçadas a fugir de suas casas no sul do Líbano.A marinha americana chegou ao porto de Beirute com 20 mil colchas, medicamentos e outros materiais para distribuição imediata. O Egito e a Jordânia também enviaram aviões com medicamentos, comida e equipes médicas. Os Emirados Árabes enviaram 40 toneladas de comida e medicamentos. Em Dubai foram arrecadados US$ 13,4 milhões para ajuda ao povo libanês através de um programa de TV. A Rainha Rania da Jordânia também fez um pronunciamento dirigido aos libaneses. "Suas crianças são nossas crianças, seus feridos são nossos feridos, sua casa é a nossa casa. Vamos trabalhar juntos para levar nossas crianças de volta para a escola, o fazendeiro para a fazenda e a família de volta para casa", disse.No 18º dia de conflito no sul do Líbano, mais de 750 mil pessoas estão desabrigadas. AtaquesAviões israelenses realizaram 120 ataques contra alvos no Líbano nas últimas 36 horas, destruindo uma ponte próxima de fronteira com a Síria. Não há registro de feridos. O Hezbollah também ampliou seus ataques. Pelo menos 445 libaneses foram mortos, mas estima-se que este número pode chegar a 600. Do lado israelense, 33 soldados e 19 civis morreram. O exército israelense confirma a morte de 200 militantes do Hezbollah, mas o grupo confirma apenas 35 perdas.

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