Israel destrói hotel em Jerusalém Oridental para construir assentamento

Abbas diz que demolição põe fim a possibilidade de palestinos retomarem negociações de paz.

BBC Brasil, BBC

09 de janeiro de 2011 | 18h03

Israel foi acusada de tentar apagar identidade palestina de Jerusalém

Escavadeiras israelenses destruíram neste domingo parte de um hotel em Jerusalém para dar lugar a um novo assentamento.

Cerca de 20 casas para famílias judaicas serão construídas no local.

A demolição parcial do Hotel Shepherd irritou os palestinos, que lutam para que Jerusalém Oriental se torne capital do futuro Estado Palestino.

A ação israelense foi levada a cabo mesmo após críticas feitas pela comunidade internacional, inclusive pelos Estados Unidos.

O presidente Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, afirmou que a demolição colocava um fim a qualquer possibilidade de os palestinos retomarem às conversações de paz com Israel.

As tentativas dos EUA de fazer as duas partes retornarem à mesa de negociação chegou ao impasse no ano passado, quando Israel se recusou a suspender a construção de assentamentos em territórios palestinos ocupados.

'Direito isra elense'

O governo israelense alega que tem o direito de construir em qualquer lugar do país, incluindo as áreas árabes de Jerusalém.

Construído nos anos 30, o hotel já foi a residência de Amin al-Husseini, o Grão Mufti de Jerusalém que se aliou a Hitler na Segunda Guerra.

Atualmente, há uma disputa sobre a quem pertence o prédio: Israel afirma que ele pertence a um empreiteiro judeu americano, enquanto os palestinos alegam que o edifício foi tomado ilegalmente após a ocupação israelense em 1967.

O governador palestino de Jerusalém, Adnan al-Husseini, afirmou que a ação foi mais uma na sequência de demolições de prédios históricos e acusou Israel de "tentar apagar qualquer identidade palestina da cidade de Jerusalém".

O ministro israelense de Infraestrutura, Uzi Landau, rebateu a crítica: "Isso (a demolição) é algo que todo país faz sem a necessidade de se reportar a outra nação."

Quase meio milhão de judeus vive em mais de 100 assentamentos, construídos após a ocupação de 1967 da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental.

Um dos principais entraves à paz na região, os assentamentos são considerados ilegais pelas leis internacionais. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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