Israel destrói mais duas casas na Cisjordânia

Soldados israelenses destruíram hoje duas casas pertencentes a suspostos militantes palestinos na Cisjordânia e teriam prendido um franco-atirador suspeito de ser o responsável pela morte de um bebê israelense em março de 2001. O Exército destruiu hoje a casa de Iyad Sawalha, um membro da Jihad Islâmica suspeito de organizar um atentado suicida contra um ônibus no norte de Israel em 6 de maio. Além do militante suicida, 17 pessoas morreram na explosão. Os militares também derrubaram a casa da família de Murad Abu Asal, que detonou os explosivos atados a seu corpo em 30 de janeiro, ferindo dois soldados israelenses. Israel vem demolindo as casas dos familiares de militantes suicidas e supostos ativistas numa tentativa de dissuadir outros palestinos a perpetrarem ataques. Os palestinos denunciam a prática como punição coletiva. Mais dois palestinos morreram nesta sexta-feira. Maryam Matar, de 75 anos, faleceu num hospital em decorrência dos ferimentos sofridos semanas atrás. Maji Nasser Ghanem, um menino de nove anos muito doente, não chegou a tempo a um hospital de Nablus por ter sido parado num bloqueio militar israelense. O jornal local Haaretz informou em seu site na Internet que o Exército deteve hoje Sudki Zaro, um suposto franco-atirador que estaria envolvido na morte do bebê Shalhevet Pass, de 10 meses. O Exército recusou-se a comentar o assunto. De acordo com Israel, a criança foi baleada na cabeça em 26 de março do ano passado por um franco-atirador quando estava no colo de seu pai na dividida cidade cisjordaniana de Hebron. Saeb Erekat, um ministro do líder palestino Yasser Arafat, partiu hoje para uma série de consultas com diversos governos árabes ao mesmo tempo em que as negociações de segurança entre israelenses e palestinos emperravam e a violência prosseguia. Erekat visitará Arábia Saudita, Egito e Jordânia. Em atos de violência ocorridos ontem, soldados israelenses assassinaram dois palestinos armados que estariam perto de uma cerca em Gaza e poderiam estar planejando um ataque ou entrar em Israel, segundo o Exército. Militares garantem que os dois levavam uma "grande bomba". Também ontem, uma criança palestina de cinco anos foi morta num bairro residencial de Khan Younis, na região central da Faixa de Gaza, perto de um assentamento judaico, contaram moradores. O avô do menino e outro palestino ficaram gravemente feridos. Os moradores alegam que não houve provocação nenhuma. Num comunicado sobre o incidente, o Exército de Israel insistiu que três palestinos abriram fogo contra soldados e fugiram num carro. Os soldados foram atrás e devolveram os tiros ferindo um dos homens no carro. Os militares nada disseram sobre uma criança ter sido atingida. Palestinos e israelenses estão se reunindo há dias para elaborar um plano para aliviar a tensão, mas houve pouco progresso. Ainda nesta sexta-feira, o Canal 2 da tevê israelense revelou um plano de contingência para expulsar Arafat da Cisjordânia e levá-lo ao exílio. Porém, a emissora ressaltou que, aparentemente, Israel não tem a intenção de colocar o plano em andamento no curto prazo.

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