Ariel Schalit / AP
Ariel Schalit / AP

Israel detém principal suspeito de terrorismo nacionalista do país e prolonga pena

Meir Ettinguer é acusado de ataques contra igrejas e civis palestinos; ele já havia sido condenado há alguns anos por espionar movimentos do Exército

O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 14h38

JERUSALÉM - Soldados da polícia israelense e do serviço secreto Shabak detiveram na segunda-feira o principal suspeito do terrorismo nacionalista, Meir Ettinguer, que é acusado de ataques contra igrejas e civis palestinos.

Ettinguer, de 24 anos, foi detido na cidade de Safed, na Galileia, em uma operação conjunta da Unidade de Crimes Nacionalistas da Polícia e agentes do serviço secreto, informaram fontes policiais. Nesta terça-feira, 4, um tribunal israelense decidiu prolongar a detenção provisória de Ettinguer até domingo, segundo fontes.

Neto do rabino radical Meir Kahana, assassinado em 1990 por um palestino após o término de uma conferência em Nova York, Meir Ettinguer está nas listas de suspeitos do Shabak desde 2010, quando foi criado o chamado "Jovens das colinas", grupo de colonos que cometeu vários ataques contra a população palestina e as forças de segurança israelenses.

Há alguns anos, Ettinguer foi condenado a seis meses de prisão por espionar os movimentos do Exército, no que as autoridades consideraram um passo prévio a uma onda de ataques pela evacuação de um pequeno assentamento judaico no território ocupado da Cisjordânia.

No ano passado, após uma série de agressões contra igrejas, mesquitas e propriedades palestinas, o Ministério da Defesa e o Poder Judiciário emitiram uma ordem para afastá-lo da Cisjordânia e Jerusalém.

Ettinguer também está entre os redatores do chamado "Documento de rebelião", que pede uma mudança de regime em Israel, inclusive se for necessário sacrificar a vida.

O Canal 10 da televisão local indicou que sua detenção aconteceu pelos meios frequentes e que se o acusado não quiser colaborar com os investigadores do Shabak, serão aplicadas novas medidas de exceção para conter o terrorismo nacionalista judeu.

No domingo, o governo israelense aprovou medidas extraordinárias contra extremistas judeus em razão da morte de um bebê palestino na aldeia de Duma em um ataque com coquetéis molotov. Entre elas, há a aplicação da detenção administrativa, ou seja, a prisão do suspeito sem necessidade de apresentar provas contra ele perante um juiz.

Com isso, o governo de Benjamin Netanyahu tenta resolver um dos problemas do Shabak no que se refere ao combate à violência nacionalista judia, que se caracteriza por seu sigilo e a impossibilidade de encontrar provas para incriminar os suspeitos. /EFE e AFP

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