Israel deve decidir: ocupação, judaísmo ou democracia?

O sonho de um Estado democrático e judaico não pode ser alcançado com permanente ocupação", afirmou o presidente Barack Obama em seu discurso ao mundo árabe. Com essas palavras, o americano juntou-se aos que consideram impossível para Israel ser simultaneamente judaico, democrático e detentor da Cisjordânia. Dessa tríade, sempre citada por acadêmicos, como o historiador israelense Avi Shlaim, Israel só pode ser duas coisas ao mesmo tempo. Se quiser todo o território, anexando definitivamente a Cisjordânia, terá de decidir se concede cidadania a milhões de palestinos que vivem em cidades como Ramallah, Belém e Jericó.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

No passado, ao anexar Jerusalém Oriental e as Colinas do Golan, os israelenses ofereceram cidadania aos moradores dessas áreas - muitos rejeitaram. No caso da Cisjordânia, seria mais complicado. Com a concessão de cidadania aos palestinos, a maioria judaica de Israel correria risco. Seria um Estado binacional, mas não judaico, acabando com o sonho de Theodor Herzl de criar uma pátria para os judeus.

Outra opção, defendida por setores do Likud, partido de Netanyahu, prevê a anexação da Cisjordânia sem a concessão de cidadania aos palestinos. Nesse caso, Israel adotaria um apartheid, privando milhões de habitantes de seus direitos e isolaria o país da sociedade internacional. Por último, há a opção de dois Estados. Os EUA, organizações judaicas liberais e a oposição israelense defendem essa saída, usando como base as fronteiras de 1967. Netanyahu se mostra cético, pois mesmo com ajustes territoriais envolvendo assentamentos, a segurança de Israel estaria em risco. Mas, como alertou Obama, é importante mostrar a verdade. O status quo é insustentável e Israel precisa agir.

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