Israel deve estudar envio de tropas estrangeiras a Gaza

Israel deve estudar o envio de uma força multinacional à Faixa de Gaza, afirmou neste domingo numa reunião do governo o ministro sem pasta Yitzhak Cohen. "É preciso estudar o posicionamento de uma força multinacional na Faixa de Gaza similar a que se conseguiu para o sul do Líbano após a guerra", disse Cohen. O posicionamento de uma força multinacional na Faixa de Gaza é uma das propostas do plano de paz apresentado pela Espanha na quinta-feira. "Se Israel aceitar o posicionamento de uma força multinacional poderá fazer exigências, entre elas a suspensão total dos disparos de foguetes Qassam e o desarmamento das facções palestinas", disse. A presença de uma força multinacional na Faixa de Gaza é tratado em círculos políticos há meses e em particular depois que monitores da União Européia (UE) começaram, há quase um ano, a supervisionar a passagem fronteiriça de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza. Em 28 de agosto, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, expressou seu apoio à proposta americana de colocar forças internacionais na principal passagem de mercadorias entre a Faixa de Gaza e Israel. Tradicionalmente, a posição israelense foi contra a presença de tropas estrangeiras, em particular européias, nos territórios palestinos da Cisjordânia e de Gaza por considerar que vai contra seus interesses. A ministra de Assuntos Exteriores israelense, Tzipi Livni, afirmou neste domingo que, apesar de a decisão da Assembléia Geral de sexta-feira passada de condenar as agressões israelenses na localidade de Beit Hanoun (no norte da Faixa de Gaza) ser "danosa e incorreta, é preciso entender, por outro lado, que ferir civis tem um preço político". Já o ministro da Defesa israelense, Amir Peretz, ressaltou que as ofensivas israelenses em Beit Hanoun para reduzir o disparo de foguetes Qassam continuarão. Além disso, Peretz disse que "o principal problema é o fortalecimento do Hamas na Faixa de Gaza e o Exército israelense atuará para impedi-lo". Peretz atacou os ministros por criarem uma sensação de que as forças de segurança israelenses não fazem o necessário para frear o disparo de foguetes Qassam e afirmou que "não existe um só plano que tenha sido apresentado e que não tenha sido aprovado". O ministro da Defesa assinalou que ordenou que se volte a investigar o desenvolvimento de um sistema que neutralize os foguetes Qassam. O chefe dos serviços secretos israelenses, Yuval Diskin, afirmou que o tráfico de armas do Egito a Gaza está aumentando. Diskin apontou que os esforços dos egípcios para evitá-lo aumentaram, mas não lidam com um grupo de famílias de traficantes e que já entraram na Faixa de Gaza 33 toneladas de explosivos manufaturados.

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