Israel deve expulsar militante do MST nesta terça

O líder gaúcho do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) Mário Lill deve ser expulso de Israel nesta terça-feira, um dia depois de ter deixado o quartel-general da Autoridade Palestina (AP) em Ramallah, na Cisjordânia, e ser detido por militares israelenses.De acordo com o Itamaraty, o encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em Tel-Aviv, Roberto Coutinho, estava acompanhando o caso, mas até esta segunda à noite não tinha conseguido entrar com contato com Lill.Em Porto Alegre, o MST relatou que Lill saiu do QG de Arafat junto com outros sete ativistas estrangeiros por volta de 11h em Ramallah (6h em Brasília). Eles conseguiram burlar o cerco israelense ao líder palestino nos primeiros dias da ofensiva militar de Israel na Cisjordânia.Ao lado de Lill, Arafat foi fotografado segurando uma bandeira do MST. Nos últimos dias, o grupo de estrangeiros preparava sua substituição, o que teria sido possível com a entrada de outros 12 ativistas no domingo no complexo da AP, de acordo com dados do MST.Os movimentos estrangeiros consideram importante a presença no quartel-general de Arafat, como forma de preservar a segurança do líder palestino. Na saída do complexo, os ativistas foram detidos para interrogatório pelos militares israelenses, segundo o MST, e não puderam ser recebidos pelos funcionários e diplomatas que os aguardavam.Só algumas horas depois da prisão, o Itamaraty foi informado oficialmente da detenção de Lill. O grupo de ativistas estrangeiros que ingressou no edifício da AP no dia 31 era composto de quase 40 pessoas. O objetivo era prestar solidariedade ao líder palestino.Entre os militantes de esquerda mais conhecidos do grupo estava o ativista francês antiglobalização José Bové - que também foi deportado por Israel logo depois de deixar o QG de Arafat.A pena de expulsão é prevista pelas leis de migração israelense para estrangeiros que violem restrições militares. Toda a cidade de Ramallah, da qual Israel se retirou parcialmente neste fim de semana, é considerada "zona de guerra fechada".Na semana passada, em audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), pôs o assunto em pauta para pedir a interferência do governo federal no sentido de evitar a prisão de Lill.Um esquema teria sido preparado na embaixada brasileira para a saída do agricultor de Israel, de acordo com o relato de movimentos de direitos humanos.

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