Israel devolverá cidade na fronteira com Líbano

Reocupada em 2006, durante ofensiva contra o Hezbollah, Ghajar deve passar para controle da missão de paz da ONU

, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

Israel aprovou ontem a retirada de suas tropas da porção norte do vilarejo sírio-libanês de Ghajar, que passará a ser controlado pela Força Interina das Nações Unidas no sul do Líbano (Finul). A devolução deve ocorrer nas próximas semanas e espera-se que a saída das tropas israelenses resolva um dos principais pontos de desentendimento entre Israel e Líbano. A retirada deve levar cerca de um mês.

Ghajar foi ocupada por Israel na Guerra dos Seis dias, em 1967. Em 2000, sob o governo do atual ministro da Defesa, Ehud Barak, as tropas israelenses deixaram a vila, bem como a maior parte do sul do Líbano, recuando até a chamada "linha azul". Na guerra contra o Hezbollah em 2006, porém, Israel voltou a ocupar a metade norte de Ghajar.

A notícia da retirada veio por meio de nota do escritório do primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu. O gabinete de segurança do premiê disse concordar "com os princípios" da saída e incumbiu diplomatas de negociar com a tropa de paz da ONU os detalhes operacionais da retirada. Israel sublinhou que não aceitará que militantes do Hezbollah sejam alocados em Ghajar.

O vilarejo fica encravada em uma fronteira tripla que separa Israel, Líbano e Síria, na região das colinas do Golan. Cerca de 2.200 pessoas vivem em Ghajar - a maioria de muçulmanos alauitas, grupo que virtualmente controla o governo sírio.

Para complicar, praticamente todos os habitantes de Ghajar tornaram-se cidadãos israelenses, mas mantiveram passaportes sírios. Eles são uns dos poucos autorizados a cruzar a fronteira entre os dois países. Ontem a chancelaria israelense garantiu que os moradores de Ghajar continuarão a ter direito de entrar e sair do país. Fontes de Israel afirmam que o objetivo inicial era firmar um acordo tripartite com a ONU e o Líbano. No entanto, o Hezbollah, que integra a coalizão governista, teria barrado a iniciativa. / REUTERS

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