Tsafrir Abayov/AP
Tsafrir Abayov/AP

Israel divulga lista de palestinos que serão libertados em troca de soldado

Família de Gilad Shalit pede que Suprema Corte israelense não impeça troca por prisioneiros palestinos

Roberto Simon, enviado especial,

16 de outubro de 2011 | 23h10

JERUSALÉM - Os últimos detalhes para a libertação inicial de 477 palestinos em troca do soldado Gilad Shalit foram acertados ontem no Cairo, anunciou o emissário israelense nas negociações, David Meidan, ao desembarcar em Tel-Aviv. A parte mais sensível da operação - a saída de Shalit de Gaza e a passagem dos primeiros presos palestinos de Israel para o Egito - continua marcada para terça-feira.

 

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Conforme o cronograma divulgado na semana passada, Israel publicou ontem a lista dos detidos que serão entregues ao Egito. Ao todo, 1.027 palestinos condenados por terrorismo, incluindo 280 que cumprem sentenças de prisão perpétua, serão trocados por Shalit, capturado em 2006. Israel os libertará em duas levas: 477 na terça-feira e 550 dentro de até dois meses.

 

"A não ser que a Suprema Corte intervenha ou que alguém na Faixa de Gaza faça alguma loucura, parece que o acordo irá adiante dentro de dois dias", disse à rádio do Exército Yaakov Armidor, assessor de segurança nacional do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

 

Discretamente, o serviço prisional israelense transferiu ontem todos os palestinos que devem ser soltos na terça-feira à prisão de Ketziot, perto da fronteira com o Egito. Os detentos foram conduzidos em ônibus de vidros escuros, escoltados por batedores. Repórteres que tentavam acompanhar os veículos só conseguiram flagrar um breve "V" de vitória através da janela. Em Ketziot, os presos serão examinados pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) antes de entrarem no Egito.

 

Suprema Corte. Canais de TV israelenses repetiam ontem ao longo do dia as imagens do presidente Shimon Peres recebendo caixas com os processos dos 477 palestinos. De acordo com a lei israelense, cabe ao chefe de Estado conceder perdão a prisioneiros. Uma das vozes mais favoráveis dentro de Israel ao acordo para libertar Shalit, Peres selou em 1985, quando era premiê, um acordo que trocou 1.150 árabes por 3 soldados israelenses.

 

A Suprema Corte israelense deve se reunir hoje para discutir petições apresentadas por cidadãos que se opõem ao acordo - em sua maioria, parentes de vítimas de atentados terroristas.

 

Noam Shalit, pai do soldado mantido há mais de cinco anos incomunicável, pediu para estar presente na sessão. A solicitação foi acatada. O pai do soldado quer responder pessoalmente aos pedidos de anulação das ordens de libertação dos presos.

 

Nos jornais israelenses, a expectativa é que o Tribunal reconheça a autoridade do premiê para fechar o acordo e não imponha obstáculos.

"Qualquer mudança, qualquer modificação nos termos acordados e mesmo no cronograma pode afetar o acordo e até mesmo torná-lo nulo", defendeu a família Shalit à Corte.

 

O acordo intensificou a troca de farpas entre os grupos palestinos Hamas e Fatah. A facção laica havia reclamado dos termos brandos e da estratégia do rival fundamentalista de tirar o foco da discussão sobre o Estado palestino na ONU. Ontem, o Hamas acusou o Fatah de ter negociado a libertação de Shalit "apenas em troca do fim do bloqueio a Gaza".

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