Israel divulga vídeo antipalestino

Para defender a posição israelense, chancelaria do país posta filme no YouTube que defende a ocupação da Cisjordânia e ataca a 'intransigência' árabe

, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 00h00

A chancelaria israelense lançou um vídeo para rebater os argumentos em defesa do reconhecimento do Estado palestino na ONU. A peça de propaganda, de pouco mais de 6 minutos, é apresentada pelo vice-ministro das Relações Exteriores do país, Danny Ayalon, e foi postado ontem nas redes sociais e no YouTube.

Diante das câmeras, Ayalon afirma que a ocupação israelense da Cisjordânia não é a verdadeira causa do conflito com os palestinos, que têm como objetivo final a "destruição do Estado de Israel". Enquanto discursa, uma animação mostra uma criança israelense sendo confrontada por um palestino armado até os dentes - em determinado momento, ele chega a disparar um fuzil automático contra o garoto.

Falando em inglês, o vice-chanceler lembra alguns fatos históricos da relação conflituosa entre árabes e judeus na região desde o início do século 20, começando com o Acordo Sykes-Picot, de 1916, e terminando com os Acordos de Oslo, nos anos 90 - a chancelaria colocou à disposição também versões legendadas em espanhol, russo, francês, alemão e árabe.

Ayalon enfatiza que Israel sempre disse "sim" à paz, enquanto os palestinos são intransigentes e sempre disseram "não" a todas as propostas apresentadas por seu país. O vídeo, intitulado A Verdade Sobre o Processo de Paz, faz ainda uma provocação ao mostrar a foto de um dos mais conhecidos líderes nacionalistas palestinos, Haj Amin al-Husseini, reunido com Adolf Hitler, em 1941.

O filme não menciona os problemas criados pela ocupação israelense, como a colonização da Cisjordânia, as restrições de movimento à população palestina e a violação dos direitos humanos no território.

Xavier Abu Eid, um dos porta-vozes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), criticou o vídeo israelense.

"Ayalon contradiz e esconde elementos históricos que todo o mundo reconhece, como o fato de a ocupação israelense da Palestina ser a mais longa da história moderna", disse o porta-voz da OLP, acrescentando que os palestinos são "o maior grupo de refugiados do mundo" e têm seus direitos humanos "sistematicamente violados".

De acordo com Abu Eid, o vídeo é "uma caricatura com muitos elementos racistas que apenas confirmam a posição de um governo que não aceitou os termos mínimos para negociar a paz nem aplicou os acordos que foram assinados."

De seu gabinete, Ayalon divulgou um comunicado explicando a ideia de fazer o vídeo. "Os líderes palestinos querem um Estado a menos, por isso querem o fim do Estado judeu", disse o vice-chanceler. "O filme mostra que a teimosia árabe, que persiste há décadas, é a razão pela qual não há um processo de paz bem-sucedido." / REUTERS

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