Israel diz que Irã ganha tempo em negociação nuclear

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo que o Irã recebeu um "presente" das potências mundiais, ao ganhar tempo durante as negociações sobre o programa nuclear neste fim de semana. No último sábado, representantes dos cinco países membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), mais a Alemanha, descreveram como "positiva" a primeira rodada de negociações com o Irã, e marcaram um segundo encontro para 23 de maio em Bagdá. Netanyahu afirmou que nessas cinco semanas o Irã ganhou mais tempo para continuar a enriquecer urânio sem restrições. Ele afirmou que o Irã deveria ser forçado a suspender o enriquecimento de urânio imediatamente.

ANDRÉ LACHINI, Agência Estado

15 de abril de 2012 | 17h22

"Minha impressão inicial é que o Irã ganhou um ''brinde''", disse Netanyahu durante uma conversa com o senador norte-americano Joe Liberman, que está em visita a Israel. "O Irã terá agora cinco semanas para continuar a enriquecer urânio sem nenhum limite, nenhuma inibição. Eu acho que o Irã deveria tomar passos imediatos para suspender o enriquecimento de urânio, entregar todo o urânio enriquecido e desmantelar a usina nuclear de Qom", disse o premiê de Israel.

Nas negociações do sábado em Istambul, entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China, mais a Alemanha (o chamado 5+1) e o Irã, ambas as partes concordaram em continuar as negociações em Bagdá em 23 de maio.

A chefe de política externa da União Europeia (UE), Catherine Ashton, que formalmente liderou as negociações a mando das seis potências em Istambul, afirmou que as conversas foram "construtivas e úteis". Ela expressou a esperança de que elas levarão a "um processo sério de diálogo sustentado com o Irã, onde poderemos dar passos práticos e urgentes para construir a confiança. Isso levará o Irã a cumprir com os seus compromissos internacionais", afirmo Ashton.

O chefe negociador do programa nuclear iraniano, Saed Jalili, disse que as negociações tiveram "algum avanço", mas reconheceu que também existem "alguns pontos de divergências".

Em Londres, o secretário do Exterior da Grã-Bretanha, William Hague, disse neste domingo que as negociações foram "os primeiros passos" para encontrar "uma solução negociada e pacífica para a questão nuclear iraniana". "Ainda existe um longo caminho pela frente", disse Hague.

Tanto Ashton quanto Jalili disseram que houve acordo para que as seis potências e o Irã avancem lentamente em uma agenda guiada pela reciprocidade - o que significa que o Irã se beneficiará com concessões, ao tomar medidas que reduzam os temores do Ocidente sobre seu programa de enriquecimento de urânio. Nessa agenda, ambas as partes terão de fazer concessões, as quais não foram especificadas. Antes do começo das negociações em Istambul, o Irã aventou com a hipótese de parar de enriquecer urânio a 20%, mas continuar a enriquecer o combustível a 3,5%, o que permite que o urânio seja usado para gerar eletricidade em usinas atômicas. O Irã afirma que seu programa nuclear tem apenas finalidades pacíficas, como a geração de eletricidade.

Para construir uma bomba atômica, é preciso enriquecer urânio acima de 90%. Segundo os cientistas, o Irã não tem essa capacidade, mas já conseguiu enriquecer urânio a 20% na sua usina em Fordo, perto de Qom. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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