Israel diz que ofensiva não põe a vida de Shalit em risco

O vice-ministro de Defesa israelense, Efraim Sne, disse que as ameaças feitas por dirigentes do grupo islâmico Hamas, alegando que a atual ofensiva militar em Gaza põe em perigo a libertação do soldado Gilad Shalit, são uma tentativa de dissuadir Israel para que suspenda a operação. O ministro de Assuntos Exteriores palestino, Mahmoud Zahar, disse no sábado que as operações do Exército israelense colocam em perigo a vida do militar seqüestrado, pois os soldados poderiam atacar o edifício de seu cativeiro, em Gaza. Em entrevista a uma agência de notícias egípcia, Zahar,pertencente ao Hamas, indicou que Israel está "bombardeando certos lugares e que poderia presumivelmente atingir o soldado". Por sua parte, um porta-voz dos Comitês Populares da Resistência - uma das três milícias responsáveis pelo seqüestro de Shalit junto com o Hamas - expressou durante o fim de semana que a operação militar em Gaza minou os esforços para a libertação de Shalit. No entanto, o vice-ministro Sne assegurou à rádio pública israelense que a operação em Gaza, denominada "Nuvens de Outono", não está destinada a conseguir a libertação do soldado seqüestrado desde 25 de junho, mas visa o fim dos lançamentos de foguetes Qassam pelas milícias palestinas contra Israel. O responsável israelense, deputado do Partido Trabalhista e ex-general-de-brigada do Exército, afirmou que o terrorismo não acabará unicamente com meios militares e que sua legenda deseja continuar as negociações com os palestinos. Por sua parte, o líder do partido pacifista israelense Meretz, Yossi Beilin, pediu que seu Governo suspenda imediatamente a operação, que atingiu especialmente a localidade de Beit Hanun, do norte da faixa palestina. Mais de 40 palestinos morreram desde o início da ofensiva por causa do fogo israelense, enquanto forças terrestres continuam suas operações em povoados do norte da Faixa de Gaza na busca de armamento e munição. Beilin insistiu em que a operação só fortalecerá ao primeiro-ministro e líder do grupo islamita Hamas, Ismail Haniyeh, e que acarretará mais ódio e o retorno dos atentados suicidas contra alvos israelenses. Fontes palestinas citadas por diferentes meios de comunicação árabes disseram que a libertação de Shalit poderia levar meses e que israelenses e palestinos ainda não chegaram a um acordo em torno do número de presos que Israel deveria libertar em troca do soldado.

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