Israel diz que política de construções em Jerusalém continua a mesma

Afirmação foi feita após reunião que teria aprofundado divergências entre governo de Netanyahu e Washington

Agência Estado e Efe,

26 de março de 2010 | 12h13

Ativistas de esquerda protestam contra novos assentamentos em Jerusalém Oriental

 

JERUSALÉM- O governo de Israel anunciou que a política do país para Jerusalém permanece a mesma. Nesta sexta-feira, 26, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se reuniu com seu gabinete de segurança a fim de elaborar uma resposta para as exigências dos Estados Unidos por concessões para a retomada das conversas de paz na região.

 

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Netanyahu voltou ontem de uma visita tensa a Washington, que aparentemente aprofundou as divergências com o governo do presidente Barack Obama sobre as construções em assentamentos judaicos, inclusive em terras anexadas pelos israelenses em Jerusalém Oriental.

"A posição do primeiro-ministro é a de que não há mudança na política de Israel para Jerusalém, (política esta) que tem sido realizada por todos os governos de Israel nos últimos 42 anos", afirmou o escritório de Netanyahu, em comunicado.

Os norte-americanos teriam exigido que o primeiro-ministro tome uma série de passos para que recomecem as conversas de paz com os palestinos. O premiê deve discutir ainda nesta sexta o tema com sua equipe de segurança.

Prazo

O secretário do gabinete Zvi Hauser negou os relatos da mídia de que os EUA impuseram um prazo para que Israel responda aos pedidos do país até a noite de sábado.

 

"Todos os aspectos da questão serão examinados e eles formularão a posição de Israel de acordo com os interesses de Israel e no tempo necessário para isso", afirmou Hauser.

O funcionário negou-se a discutir detalhes das exigências de Washington. Os EUA teriam pedido atitudes como a libertação de centenas de prisioneiros palestinos e uma paralisação maior das construções em assentamentos.

 

Apesar dos relatos de crise na relação bilateral dos tradicionais aliados, um porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que está havendo "progresso em temas importantes".

 

Divergência

A divergência começou quando o governo de Netanyahu anunciou que construirá 1.600 novas casas para assentados judeus em Jerusalém Oriental, durante uma visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, ao país.

 

Os palestinos veem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado independente e se recusam a negociar a paz antes da paralisação das construções nos territórios ocupados. As informações são da Dow Jones.

 

Condição

 

O secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, impôs a anulação do plano hebraico de construir 1.600 assentamentos em Jerusalém Oriental como condição às negociações indiretas com Israel.

 

Em declarações aos jornalistas após a reunião de ministros de Exteriores preparatória da cúpula deste fim de semana na cidade líbia de Sirte, Moussa afirmou que a posição da organização pan-árabe "é muito clara".

 

"As negociações dependem do congelamento da colonização e em particular da anulação da decisão israelense de construir 1.600 assentamentos em Jerusalém Oriental", disse o secretário, que anunciou que a cúpula da Liga Árabe adotará uma resolução sobre as negociações indiretas entre israelenses e palestinos.

 

Os 22 países-membros da Liga Árabe concordaram na quinta-feira em aumentar a ajuda aos palestinos de Jerusalém de US$ 150 milhões para US$ 500 milhões.

 

Durante a cúpula de Sirte espera-se que os chefes de Estado adotem uma decisão sobre a continuidade da denominada Iniciativa Árabe de Paz.

 

Esta proposta, adotada pela Liga Árabe na cúpula de Beirute de 2002 e ratificada na de Riad de 2007, oferece a Israel um reconhecimento de todos os estados árabes em troca de sua retirada dos territórios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias, de 1967 - incluindo Jerusalém Oriental - e do reconhecimento do direito ao retorno dos refugiados de 1948.

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