Israel diz que vai manter ação militar em Gaza por tempo indeterminado

O Exército israelense anunciou que a operação iniciada nesta madrugada (horário local) no sul da Faixa de Gaza para resgatar o soldado Guilad Shalit, seqüestrado por milicianos palestinos vai continuar por prazo indeterminado. Assustada, a população de Rafah tenta fugir para o norte.As forças que cruzaram o limite sul de Gaza, a um quilômetro da cidade fronteiriça de Rafah, tomaram posições na localidade de Dahania, perto do aeroporto internacional desativado Yasser Arafat, e instalam vários postos de observação.Cerca de oito horas depois do início da ofensiva Chuvas de Verão, não há informações sobre vítimas entre a população civil nem no Exército. Mas fontes palestinas relatam grandes danos materiais.É a primeira operação terrestre em grande escala desde que o Exército israelense saiu da Faixa de Gaza, em 12 de setembro, após uma ocupação de 38 anos. O objetivo é bloquear o sul da região para encontrar Guilad Shalit, seqüestrado no domingo passado por milicianos palestinos. Os civis, especialmente das zonas rurais, fugiram de carro, a pé e em tratores, muitos ainda vestindo pijamas. Eles se dirigiam à costa do Mediterrâneo e a Khan Yunes, no sul de Gaza. Os hospitais da cidade, assim como os de Rafah, os dois maiores centros do sul da Faixa, estão em emergência e mobilizaram todo o seu pessoal.Combatentes palestinos andavam com suas armas e explosivos por Rafah, instalando bombas junto às estradas e ruas, já prevendo o avanço das tropas e dos tanques israelenses.A primeira ação da operação israelense foi o bombardeio aéreo de uma ponte que une a Cidade de Gaza com Khan Yunes. O objetivo foi impedir a saída de grupos levando o soldado seqüestrado. Também para cortar as saídas, a Força Aérea destruiu outras duas pontes, informaram fontes militares."Um grave erro"O porta-voz do governo palestino, Ghazi Hamad, declarou que a ofensiva é "um grave erro de Israel, que sofrerá grandes perdas, e que atrapalha os esforços para libertar com vida o seu soldado".O deputado Mushir Al-Masri, do Movimento Islâmico Hamas, convocou os palestinos a "erguer os fuzis e as pistolas". "Esta é uma guerra por nossos prisioneiros, nossas vidas e nossa independência", disse.As autoridades israelenses não têm indícios de onde pode ficar o cativeiro de Shalit, que aparentemente sofreu ferimentos leves na mão e no ventre. Fontes militares admitem a possibilidade de que ele já tenha saído de Gaza, levado para o deserto do Sinai, no Egito.Segundo os militares israelenses, esta é a primeira etapa da operação, aprovada em todas suas fases pelo primeiro-ministro Ehud Olmert e pelo ministro da Defesa, Amir Peretz. A ação só vai terminar com o resgate do soldado, de 19 anos, garantem as autoridades israelenses.Segundo fontes militares, as primeiras ações "são agressivas" e se Shalit não for devolvido são e salvo, serão ainda mais pesadas. O kibutz Kerem Shalom, junto à base de Telem, onde foi capturado o soldado, e outras localidades israelenses entraram nesta manhã em estado de alerta. A população teme ataques de milicianos palestinos com foguetes Qassam.Na ação de seqüestro do soldado morreram dois soldados e dois palestinos que chegaram à base por um túnel subterrâneo. A operação foi reivindicada por milicianos islâmicos do Hamas, dos Comitês Populares da Resistência e do desconhecido grupo que se intitula Exército Islâmico.Por enquanto, os milicianos têm ignorado os apelos do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, para libertar Shalit e evitar a invasão israelense. Não há notícias de reação por parte das milícias da resistência nem das forças de segurança da ANP.Até agora fracassaram todos os esforços diplomáticos. O Egito tenta atuar como intermediário, assim como a França, já que o soldado seqüestrado é também cidadão francês.

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