Israel diz que vai mudar traçado do muro de separação

Israel deve mudar o traçado do muro de separação dos territórios palestinos para tornar menos difícil a vida da população palestina e ganhar o apoio dos EUA contra o questionamento jurídico levantado na Corte Internacional de Justiça, de Haia, sobre a legalidade da barreira, informou hoje um assessor do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon. O traçado inicial da cerca avança bem além da "linha verde", a fronteira que existia antes de Israel ocupar Gaza e Cisjordânia, em 1967. Sharon alega que a construção da barreira é necessária para impedir a infiltração de extremistas palestinos que desfecham atentados em seu território. A iniciativa, no entanto, não foi bem recebida pelos EUA - principal aliado de Israel - que, ao lado da União Européia, Rússia e ONU, tentam impulsionar o roteiro para a paz. Segundo o jornal israelense Haaretz, o desenho do muro será refeito para que não isole cidades palestinas da Cisjordânia e se aproxime da "linha verde". Até agora, já foram erguidos 170 quilômetros da obra, uma decisão unilateral do governo israelense que afetará a vida 875 mil palestinos, segundo um relatório divulgado esta semana por um centro israelense de defesa dos direitos humanos. O chefe de gabinete de Sharon, Dov Weisglas, afirmou que a mudança do traçado - cuja extensão total seria de 700 quilômetros - permitirá encurtar o muro em 100 quilômetros, informa o jornal. Nos próximos dias, Sharon deve apresentar a nova versão do muro a três visitantes americanos: Elliot Abrams e Steve Hadley, do Conselho de Segurança Nacional, e o subsecretário de Estado para o Oriente Médio, William Burns. Os funcionários americanos serão informados por Sharon, que deve viajar a Washington no início de março, sobre seu plano unilateral de "separação" dos 3 5 milhões de palestinos que vivem em Gaza e Cisjordânia. O plano de Sharon também inclui a remoção de 17 dos 21 assentamentos israelenses da Faixa de Gaza, e de alguns dos 140 da Cisjordânia - de onde Israel admitiria retirar-se até uma "linha de segurança". Não se esclareceu se esta linha coincidirá com a do muro de separação. A proposta de Sharon, no entanto, enfrenta resistência até em sua coalizão de governo. O Partido Nacional Religioso de Israel, de ultradireita, ameaça abandonar o governo se Sharon puser em prática o plano de retirar os colonos de Gaza. O primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Ahmed Qureia, disse hoje que deve reunir-se com Sharon ainda este mês. Já o porta-voz do Hamas, Abdel Aziz Rantisi, qualificou o plano de Sharon como "uma declaração de derrota", acrescentando que a proposta de retirada israelense de Gaza é "uma vitória da resistência palestina". A legalidade da barreira na Cisjordânia será julgada, a pedido da Assembléia Geral da ONU, pela Corte Internacional de Haia. Ainda hoje, forças israelense mataram um fugitivo da Frente Popular de Libertação da Palestina no campo de refugiados de Rafah, na Faixa de Gaza. O Exército de Israel alegou que o homem tentou escapar do prédio onde se escondia, e os soldados o mataram a tiros. Na Cidade de Gaza, cerca de 1.500 palestinos participaram do enterro de Aziz Shami, um líder da Jihad Islâmica morte num ataque de mísseis de helicópteros israelenses no sábado. A ala militar do grupo jurou vingança.

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