Israel é acusado de tornar divisão impraticável

JERUSALÉM

Roberto Simon ENVIADO ESPECIAL / JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Em Sheik Jarrah está a tumba do rabino Shimon Hatzadik, líder judeu que viveu há aproximadamente 23 séculos. "Está vendo essa sinagoga?", pergunta ao Estado Chaim Rui, apontado para a casa de pedra amarelada onde ele diariamente estuda. "Ela está aqui há séculos e mais séculos. Por que eu, um judeu, não posso estar aqui também?"

Palestinos e grupos israelenses de esquerda acusam organizações de colonos e o governo de Israel de buscar atingir uma situação em que a divisão de Jerusalém será fisicamente impraticável.

Chaim Erlich, diretor da ONG Ir-Amim, explica que até os anos 90 a ocupação judaica de Jerusalém Oriental evitava áreas árabes. Mas quando o governo americano, durante a presidência de Bill Clinton, passou a defender o princípio de divisão demográfica - "Jerusalém palestina, onde há mais palestinos; Jerusalém israelense, onde há mais israelenses" - colonos passaram a buscar regiões densamente habitadas por árabes. A guinada estratégica teria sido idealizada pelo então ministro da Habitação, Ariel Sharon. Hoje, estima-se que o número de colonos e palestinos que vivem em Jerusalém Oriental, dentro dos limites do muro que separa Israel da Cisjordânia, tenha se igualado: 200 mil de cada lado.

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