AFP PHOTO / JAAFAR ASHTIYEH
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Israel é duramente criticado após anunciar construção de nova colônia

Palestinos, Casa Branca, ONU e ONG afirmaram que expansão da colonização nos territórios ocupados deve criar novos obstáculos e desafios para a paz na região; país não fazia anúncios do tipo desde 1991

O Estado de S.Paulo

31 de março de 2017 | 15h32

TEL-AVIV - Israel recebeu nesta sexta-feira, 31, duras críticas dos palestinos, da Casa Branca, da ONU e de uma ONG local, depois de anunciar na véspera a construção de uma colônia na Cisjordânia ocupada, a primeira impulsionada por um governo israelense em mais de 25 anos.

A Casa Branca alertou que apesar da existência das colônias israelenses não ser um obstáculo para a paz, sua expansão poderia o ser. "O presidente Donald Trump, tanto em público como em privado, manifestou sua preocupação a respeito das colônias", declarou um funcionário do governo que não quis se identificar.

O gabinete de Benjamin Netanyahu tomou esta iniciativa apesar das condenações internacionais à colonização e dos apelos da administração americana a freá-la.

Este é o primeiro anúncio de uma nova colônia por parte do governo de Israel desde 1991, antes dos acordos de paz de Oslo, indicou em um comunicado a ONG israelense Paz Agora, que se opõe à colonização.

A nova colônia, Geulat Tzion, permitirá realocar cerca de 40 famílias judias da colônia de Amona, na Cisjordânia, destruída em fevereiro por decisão judicial. 

"O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e sua coalizão extremista e racista persistem em suas políticas sistemáticas de colonialismo, de apartheid e de limpeza étnica", disse Hanan Ashrawi, uma das dirigentes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Israel está mais focado nas garantias que pode dar aos colonos que na busca da paz, considerou em um comunicado.

A construção do novo assentamento agradou Uri Ariel, ministro da Agricultura e membro do Lar Judaico, um partido nacionalista religioso que defende a colonização. "Esta decisão permitirá o desenvolvimento de Judeia e Samaria", o nome com o qual os israelenses se referem à Cisjordânia, disse à rádio pública.

O anúncio de Israel provocou críticas do secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, que expressou sua "decepção" e "preocupação" com a construção da colônia, indicou seu porta-voz em um comunicado.

Guterres "ressaltou em diversas ocasiões que não existe plano B para os israelenses e os palestinos para viver juntos de forma segura. Condenou as ações unilaterais que ameaçam a paz e minam a solução de dois Estados", disse o porta-voz". "As atividades de colonização são ilegais segundo o direito internacional e constituem um obstáculo para a paz", lembrou.

Para a Paz Agora, "Netanyahu é refém dos colonos e coloca sua sobrevivência política acima dos interesses do Estado de Israel. Ao ceder à pressão dos colonos, o primeiro-ministro leva israelenses e palestinos a uma realidade com apenas um Estado, sinônimo de apartheid".

Um dos responsáveis pela ONG, Anat Ben Nun, afirmou que "o lobby dos colonos é muito poderoso na atual maioria governamental e também dentro do Likud", o partido conservador de Netanyahu, que lidera um governo considerado como o mais direitista da história do país. / AFP

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