Israel e Hamas aceitam manter trégua até segunda-feira, dizem EUA e ONU

Faixa de Gaza. De acordo com John Kerry, secretário de Estado americano, forças militares israelenses continuarão com uma guerra 'defensiva' durante o cessar-fogo e promoverão operações para desmantelar os túneis escavados pelo grupo radical islâmico

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / GAZA, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2014 | 03h28

EUA e ONU anunciaram ontem um cessar-fogo humanitário entre israelenses e palestinos com validade até a manhã de segunda-feira. O prazo será usado para negociar uma trégua mais longa e reabastecer o território palestino com comida e medicamentos. As redes de abastecimento de energia e água, praticamente destruídas, também devem receber reparos.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, no entanto, disse que durante a trégua Israel continuará com sua "guerra defensiva", operando "atrás de suas linhas" para desmantelar a rede de túneis dos palestinos. As negociações, segundo ele, poderiam recomeçar hoje, no Egito. Horas antes do anúncio do cessar-fogo, o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, disse que Israel não aceitaria nenhuma trégua com o Hamas que o impedisse de destruir os túneis que conectam Gaza ao território israelense.

As Forças Armadas israelenses convocaram ontem mais 16 mil reservistas que, segundo essas fontes, substituirão os soldados que estão combatendo na Faixa de Gaza. Os reservistas, de até 40 anos de idade, podem ser convocados durante um mês a cada ano.

Líderes e porta-vozes do Hamas tinham dito que só aceitariam um cessar-fogo que incluísse o fim do bloqueio israelense à Faixa de Gaza. Erguido depois que o Hamas tomou o poder, em 2007, expulsando os palestinos moderados do Fatah, que governa a Cisjordânia, o bloqueio permite apenas a entrada controlada de comida, medicamentos e combustível. Até mesmo materiais de construção vinham sendo vetados, segundo Israel porque eram usados para erguer bases do Hamas.

Túneis ligando a Faixa de Gaza ao Egito vinham abastecendo o território, até que os militares egípcios se instalaram no poder, derrubando a Irmandade Muçulmana, aliada do Hamas, em meados do ano passado. Os militares passaram a reprimir o contrabando, asfixiando economicamente o Hamas, que depende dos impostos arrecadados na entrada dos produtos - cerca de 60% de sua receita.

Israel enviou representantes para negociar o cessar-fogo no Egito e o conflito diminuiu de intensidade ontem. Enquanto na quarta-feira mais de 100 palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, ontem esse número chegou a 30. Uma van foi atingida por um míssil disparado por um avião israelense no centro de Gaza, matando uma pessoa. Do lado israelense, cinco soldados foram vítimas de um foguete palestino.

O repórter do Estado viu vários outros locais atingidos por mísseis ontem na cidade. Às 21 horas (15 horas em Brasília), um míssil foi disparado por um navio israelense. Durante todo o dia, e também à noite, eram ouvidos continuamente disparos da artilharia israelense.

Um deles danificou uma mesquita e lançou fragmentos contra uma escola em Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza, onde estão abrigadas famílias que fugiram dos bombardeios. Ao menos 30 pessoas ficaram feridas, segundo as agências de notícias.

A contagem de mortos agora chega a 1.450 palestinos, além de 7 mil feridos. Do lado israelense, 61 soldados foram mortos e 400 feridos. Dezenas de parentes e amigos acompanharam o sepultamento ontem do sargento Matan Gotlib, morto em combate na véspera. Outros três civis, dois israelenses e um tailandês, também morreram, atingidos por foguetes do Hamas.

O grupo palestino afirmou ter disparado ontem um foguete contra Tel-Aviv, principal cidade de Israel. O governo israelense disse que o foguete foi interceptado pelo escudo antimísseis Domo de Ferro, que também seguirá funcionando durante a trégua. Ainda segundo as autoridades de Israel, mais de 60 foguetes foram disparados ontem da Faixa de Gaza.

Um funcionário do governo israelense disse ontem ao Estado que o Domo de Ferro interceptou 300 foguetes disparados pelo Hamas nas últimas três semanas. "O escudo salvou vidas dos dois lados", disse o funcionário. "Se esses foguetes tivessem caído em cidades israelenses, matado dezenas de pessoas, a população estaria pressionando o governo a agir com mais energia em Gaza."

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