Israel e Hamas cantam vitória e abalam trégua

Expectativa agora é pela retomada das negociações no Cairo para tratar das questões mais sensíveis, que não foram resolvidas no primeiro diálogo

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2014 | 02h00

Enquanto o Exército israelense retirava as tropas de infantaria e cavalaria blindada da fronteira com a Faixa de Gaza, um dia depois da assinatura do cessar-fogo permanente com as milícias palestinas, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu disse que Israel responderá com mais vigor do que antes a qualquer sinal de disparo de foguetes a partir do território.

"Não vamos tolerar nem mesmo uma pitada de lançamento de foguetes, em qualquer parte de Israel", disse Netanyahu, que enfrentou fortes críticas em Israel durante o conflito com militantes palestinos. "Vamos responder com mais vigor ainda do que antes." Ao lado do ministro da Defesa, Moshe Yaalon, e do chefe de Estado-Maior, Benny Gantz, o premiê acrescentou que "é muito cedo para saber se a calma vai voltar no longo prazo".

Ao mesmo tempo, o ex-primeiro-ministro da Faixa de Gaza e n.º 2 na liderança do Hamas, Ismail Haniyeh, considerou o acordo de trégua com Israel "uma vitória da resistência islâmica". Em discurso a milhares de pessoas no território palestino, Haniyeh disse que "a resistência armada palestina ganhou a admiração do mundo e conseguiu surpreender Israel".

Para o Hamas, a morte dos 64 soldados israelenses - maior número de baixas militares de Israel desde 2006 - serviu para "desconstruir a lenda do Exército de Israel, que se declara invencível".

Negociações. Em meio aos cantos de vitória de ambos os lados, o acordo de cessar-fogo deixou questões importantes para serem discutidas em uma nova rodada de negociações indiretas no Cairo, dentro de um mês.

Entre os principais temas estão a libertação de prisioneiros palestinos capturados após o sequestro e a morte de três adolescentes judeus na Cisjordânia e as demandas por um porto com capacidade de operação e a reabertura do Aeroporto Yasser Arafat, fechado em 2000.

O Hamas também quer o descongelamento de fundos para permitir o pagamento de 40 mil policiais, funcionários do governo e pessoal administrativo, sem salários desde 2013.

Israel, por sua vez, quer que o Hamas e outros grupos militantes em Gaza entreguem todos os restos mortais e objetos pessoais de soldados israelenses mortos durante a guerra.

A repercussão internacional foi positiva, mas cautelosa. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, elogiou a iniciativa e disse esperar que uma solução de longo prazo seja acertada entre os dois lados. A União Europeia também mostrou sua satisfação com o cessar-fogo e pediu a ambas as partes que respeitem e aproveitem a oportunidade para avançar em direção a uma solução permanente.

Em nota emitida por Bruxelas, Catherine Ashton, chefe da diplomacia do bloco, fez referência a perdas de vidas civis nos confrontos. "Celebramos o acordo de cessar-fogo em Gaza, que põe fim ao sofrimento e à perda de vidas, sobretudo entre a população civil", disse ela. / AFP, EFE e REUTERS

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