Israel e Hamas chegam a cessar-fogo; acordo inclui alívio a bloqueio de Gaza

Passados oito dias e contabilizados aproximadamente 160 mortos no confronto entre forças israelenses e do Hamas, a Faixa de Gaza e o sul de Israel viveram ontem à noite suas primeiras horas de calma. Ambos os lados, sob mediação do Egito e forte apoio dos EUA, chegaram a um acordo de cessar-fogo - ao mesmo tempo em que tanto o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, quanto o líder máximo do Hamas, Khaled Meshal, celebravam a "vitória".

ROBERTO SIMON , ENVIADO ESPECIAL , TEL-AVIV, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h02

Em Gaza, a notícia da trégua levou milhares de palestinos em êxtase às ruas, em meio a buzinaços e rezas coletivas na calçada. Embora sem festa, em Tel-Aviv e no sul de Israel havia claro sentimento de alívio.

O acordo, que tem como base três pontos principais, abre a possibilidade de uma redução do cerco que Israel mantém contra Gaza desde 2006 e prevê medidas que vão da abertura da passagem de bens para o território até a ampliação da área no mar onde pescadores palestinos podem trabalhar.

Segundo a rede de TV Al-Jazeera, o acordo abre o caminho para a entrada livre de bens no território palestino já a partir das 21 horas (de Brasília) de hoje. Israel, no entanto, não confirma ter se comprometido com o fim do cerco ao território.

O primeiro ponto do acordo estabelece que Israel encerre as hostilidades, incluindo qualquer tipo de assassinato de líderes em Gaza, e desista de uma incursão terrestre. Em segundo lugar, o Hamas se compromete não só a encerrar os disparos de foguete contra o sul de Israel, mas também a garantir que os demais grupos islâmicos radicais ativos no território se mantenham quietos.

A situação, entretanto, continuava instável ontem à noite. Momentos depois da entrada em vigência do cessar-fogo, 12 foguetes foram disparados contra o sul de Israel.

Enquanto negociadores discutiam no Cairo, o dia em Gaza e Israel foi marcado por mais violência.

Ataque a ônibus. Militantes palestinos lançaram um atentado a bomba em um ônibus no coração de Tel-Aviv, deixando 28 feridos - o primeiro do tipo em pelo menos seis anos (mais informações nesta página), em cenas que lembram o auge da Segunda Intifada.

Ao mesmo tempo, dezenas de foguetes deixaram pelo menos quatro israelenses feridos.

No território palestino, a aviação de Israel matou pelo menos mais 20 pessoas, segundo fontes médicas de Gaza, incluindo 7 crianças.

Os bombardeios continuaram até minutos antes do prazo para iniciar o cessar-fogo - às 21 horas (17 horas no Brasil).

Forças de Israel lançaram mísseis guiados contra líderes do Hamas e da Jihad Islâmica, que seria o grupo responsável pelos foguetes de longo alcance lançados contra Tel-Aviv e Jerusalém. Nos 8 dias da operação Pilar de Defesa, Israel atacou 1.500 alvos nos 360km² de Gaza.

O primeiro a anunciar que um acordo havia sido alcançado foi o ministro das Relações Exteriores do Egito, Kamel Amr.

Ele deu ao notícia ao lado da secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, que esteve ontem no Cairo, depois de passar nos últimos dias por Israel e Cisjordânia - onde, pela manhã, se reuniu com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Hillary saudou a "liderança regional" do Egito, qualificando o país de "peça-chave para a estabilidade e a paz" no Oriente Médio. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também esteve ontem no Cairo, onde se encontrou com o presidente egípcio, Mohamed Morsi.

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