SAID KHATIB / AFP
SAID KHATIB / AFP

Negociações avançam e governo de Israel se reúne para discutir trégua em Gaza

Fontes de segurança do Egito, que media conversações, falaram, em condição de anonimato, que os dois lados concordaram em princípio com o cessar-fogo, mas os detalhes ainda precisaram ser resolvidos

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 07h42
Atualizado 20 de maio de 2021 | 16h22

JERUSALÉM - Os líderes israelenses mantêm, nesta quinta-feira, 20, uma reunião de gabinete para considerar a suspensão da ofensiva contra a Faixa de Gaza, possivelmente dentro de poucas horas. Relatos na imprensa israelense sugerem que uma trégua entre Israel e o grupo radical Hamas, que controla esse território palestino, poderia ter início na manhã de sexta-feira. 

As negociações, que avançaram um dia depois de o presidente americano, Joe Biden pedir a redução das hostilidades, estariam avançando com a mediação do Egito. Fontes de segurança egípcia falaram, em condição de anonimato, que os dois lados concordaram em princípio com o cessar-fogo, mas os detalhes ainda precisaram ser resolvidos. Em Washington, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse que as novas informações sobre as negociações eram encorajadoras. 

Depois que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu convocou seu gabinete de segurança, a emissora pública Kan disse que ele votaria em até 24 horas uma proposta para a suspensão unilateral dos ataques, o que não foi confirmado oficialmente. Fontes palestinas disseram que o Hamas e a Jihad Islâmica querem que qualquer trégua seja simultânea, mas Kan disse que Israel deseja um cessar-fogo em seus próprios termos. O conflito entrou hoje no 11º dia. 

Mais cedo, representantes do governo de Israel e do Hamas - principal grupo armado envolvido no conflito - haviam afirmado que um acordo de paz poderia ser firmado nos próximos dias, em declarações à imprensa internacional.

Um alto funcionário do governo israelense afirmou ao jornal americano The New York Times que "provavelmente" chegarão a um acordo nos próximos dois dias. A mesma versão foi revelada por Moussa Abu Marzouk, um dos líderes do Hamas, que afirmou que o cessar-fogo deve ser confirmado "em um ou dois dias" em entrevista a uma rede de TV libanesa.

Ainda de acordo com a publicação americana, o cessar-fogo em discussão viria em etapas. A primeira condição seria o fim dos ataques israelenses contra a infraestrutura e instalações do Hamas e o fim das tentativas de matar representantes do grupo. Em contrapartida, o Hamas teria de interromper todos disparos de foguetes contra cidades israelenses. Israel também estaria exigindo que os palestinos parem de cavar túneis de ataque em direção a Israel e com as manifestações violentas na fronteira Gaza-Israel.

O acordo também incluiria etapas posteriores ao cessar-fogo entrar em vigor, incluindo a devolução dos corpos de dois soldados capturados pelo Hamas e de dois civis israelenses detidos pelo grupo. Em troca, disseram as autoridades, Israel permitiria a passagem de bens e fundos para Gaza.

Oficialmente, Israel negou a existência de negociações ou a iminente assinatura de um acordo, mas essa pode ser uma tática destinada a pressionar o Hamas, mostrando que Israel não teme uma nova escalada.

Na quarta-feira, 19, Netanyahu prometeu continuar a operação no enclave palestino até que os objetivos israelenses sejam alcançados. "Estou determinado a prosseguir essa operação até que o objetivo final seja alcançado, que é restaurar a paz e a segurança aos cidadãos israelenses", afirmou o premiê.  A declaração de Netanyahu foi feita após a Casa Branca divulgar um comunicado que revelava que o presidente americano cobrou uma "desaceleração significativa" do conflito no mesmo dia.

Nem só dos americanos vem a pressão internacional por um cessar-fogo. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, viajou até a região. Maas reafirmou o direito de defesa de Israel "contra ataques inaceitáveis", mas também expressou preocupação com o número de vítimas civis no conflito. Autoridades de Saúde de Gaza afirmam que cerca de 230 pessoas já morreram no enclave desde o começo do confronto, incluindo 65 crianças. Doze pessoas morreram do lado israelense durante bombardeios do Hamas, sendo duas crianças.

O chefe da diplomacia alemã será recebido durante a noite pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, mas não terá conversas diretas com o Hamas, organização considerada "terrorista" pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

Confrontos continuam apesar das negociações

Mesmo com as negociações avançando, segundo as autoridades, novos bombardeios ocorreram entre a noite da quarta-feira, 19, e a manhã desta quinta, 20. O Exército israelense divulgou que estava ampliando seus ataques contra alvos militantes no sul de Gaza para conter os disparos contínuos de foguetes do Hamas.

Caças israelenses bombardearam as casas de pelo menos seis dirigentes do grupo palestino, segundo o exército. Ao mesmo tempo, sirenas foram acionadas no sul de Israel por uma nova salva de foguetes, reivindicada pela Jihad Islâmica, outro grupo armado sediado em Gaza.

Os movimentos armados palestinos já lançaram contra o território israelense mais de 4.000 foguetes, mas a maioria foi interceptada pelo Domo de Ferro.

Residentes de Gaza relatam que pelo menos cinco casas foram destruídas na cidade de Khan Younis, ao sul. Em uma delas, estilhaços atingiram a tia do proprietário, matando-a, e feriram sua filha e dois primos. Weam Fares, porta-voz de um hospital próximo, confirmou a morte e disse que pelo menos 10 pessoas ficaram feridas em ataques durante a noite. Também houve bombardeios ​​na rua al-Saftawi, uma via comercial na cidade de Gaza./ AP, NYT e AFP

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