Adel Hana/AP
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Israel e Hamas criticam discurso do presidente dos EUA

Netanyahu se encontra com Obama nesta sexta-feira; recepção, em Washington, deverá ser 'cálida'

BBC Brasil, BBC

19 de maio de 2011 | 23h33

JERUSALÉM - Tanto Israel quanto o grupo radical islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, criticaram o discurso proferido nesta quinta-feira, 19, pelo presidente dos EUA, Barack Obama, que pediu que um Estado palestino seja criado segundo as fronteiras estabelecidas antes de 1967.

 

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"As fronteiras entre Israel e Palestina devem ser baseadas no traçado de 1967, com trocas acordadas mutuamente, para que fronteiras seguras e reconhecidas sejam estabelecidas para ambos os lados", disse Obama.

Segundo analistas, as declarações marcam uma mudança na política dos Estados Unidos, que até então costumavam afirmar apenas que "os palestinos desejam" um Estado com as fronteiras de 1967, e agora parecem manifestar apoio a essa reivindicação palestina.

O gabinete do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que se encontrará com Obama nesta sexta-feira, 20, emitiu comunicado com duras críticas ao discurso, dizendo que o recuo de suas fronteiras é "indefensável".

"O premiê Netanyahu espera ouvir a reafirmação, por parte do presidente Obama, dos compromissos feitos pelos EUA com Israel em 2004, que foram fortemente apoiados pelas duas casas do Congresso (americano)", dizia o texto.

"Esses compromissos se referem a Israel não ter que se retrair às divisas de 1967, que são indefensáveis e que deixariam grandes populações israelenses na Judeia e na Samária além dessas divisas."

Assentamentos

A Guerra dos Seis Dias, em 1967, levou Israel a anexar a seu território a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, que pertenciam à Jordânia, além da Faixa de Gaza e da Península do Sinai (sob controle do Egito) e das Colinas de Golã (da Síria).

Atualmente, calcula-se que 300 mil israelenses vivam em assentamentos judaicos na Cisjordânia, além das fronteiras de 1967. As colônias israelenses são consideradas ilegais sob a lei internacional, mas Israel discorda dessa avaliação.

Em seu comunicado, Netanyahu disse também que apreciava o "comprometimento de Obama com a paz", mas, para que essa paz ocorra, "a viabilidade do Estado palestino não deve ocorrer às custas da viabilidade do Estado judeu".

No caso do Hamas, Obama disse em seu discurso que Israel não vai "avançar" nas negociações a não ser que o país sinta que está seguro contra os ataques vindos da Faixa de Gaza - perpetrados pelo Hamas ou por outras milícias islâmicas - e do Hezbollah, no Líbano.

Obama também advertiu os palestinos contra tentar obter o reconhecimento de seu Estado na ONU, em vez de por meio das negociações de paz.

'Não agradou'

 

Em resposta à fala do americano, um membro sênior do grupo islâmico, Mohamed Awad, disse à BBC Árabe que "Obama não mencionou os mais de 63 anos de sofrimento do povo palestino, nem disse que o processo de paz chegou a um impasse. Também não falou nada sobre a renúncia (do enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, George) Mitchell, como se quisesse se esconder por trás de palavras diplomáticas, o que não é a solução para o caso".

Segundo Awad, Obama "tentou agradar a todos, mas não agradou ao povo palestino".

Encontro

Para o correspondente da BBC em Jerusalém, Wyre Davies, Netanyahu receberá uma recepção cálida nos EUA nesta sexta-feira, mas também sob forte pressão internacional para aliviar as restrições israelenses a um Estado palestino.

Um dos temas a serem discutidos na visita do israelense é o acordo entre o Hamas e o grupo laico Fatah, que controla a Cisjordânia. O acordo, criticado por Israel, que se sente ameaçado pelo Hamas, pavimentou o caminho para possíveis eleições palestinas.

Se o projeto de unidade prosperar, apesar de seus percalços, Davies avalia que Netanyahu talvez tenha que lidar com a pressão de outras nações que podem eventualmente aprovar as iniciativas palestinas.

 

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