Israel e Hamas fazem suas ameaças

Israel prepara uma massiva represália após o atentado de quarta-feira na Universidade Hebraica de Jerusalém, enquanto o movimento fundamentalista Hamas ameaça "matar 100 sionistas" para cada um de seus líderes abatidos pelo Exército israelense. A onda de violência no Oriente Médio provocou hoje a morte de uma menina palestina de nove anos na Faixa de Gaza. Um civil israelense morreu na Cisjordânia em meio a um estado de alerta máximo das forças israelenses. Além das duas mortes, uma bomba foi descoberta na linha ferroviária nos arredores de Herzilya, um bairro residencial ao norte de Tel Aviv. Não houve feridos. A menina palestina, Asmaa Ahmed Tahsine, morreu quando era transportada por um táxi em Khan Younis. O israelense Shani Ladani, de 27 anos, foi encontrado morto numa fábrica no distrito industrial de Gshuri, perto da cidade palestina de Tulkarem, no noroeste da Cisjordânia. Segundo o comandante da polícia local, Gershon Yitzhak, Ladani foi morto por palestinos de Tulkarem que supostamente se aproveitaram da breve suspensão de um toque de recolher para que a população local comprasse mantimentos. Em uma primeira ação contra suicidas - aprovada pelo Conselho de Defesa pouco antes do atentado à bomba de ontem, que deixou sete mortos e cerca de 90 feridos na Universidade Hebraica de Jerusalém -, o Exército israelense demoliu a casa da família do último militante suicida, que há dois dias detonou os explosivos atados a seu corpo em Jerusalém e deixou sete pessoas feridas sem gravidade. A casa de Majid Ata, de 17 anos, em Beit Jalla, nos arredores de Jerusalém, foi reduzida a escombros. Seus familiares estavam inconsoláveis. Ainda na Cisjordânia, soldados demoliram em Jenin a casa da família de Mohamed Abu Tabiah, um militante da Jihad Islâmica capturado poucos dias antes. Hoje à noite deverá ocorrer a primeira deportação de um parente de camicase, o irmão de um dos autores da emboscada de 16 de julho contra um ônibus de colonos judeus. Nove pessoas morreram no ataque. Represália Israel pretende que as medidas contra as famílias dos palestinos transforme-se no futuro num meio eficaz de dissuasão, segundo o Estado Maior das Forças Armadas e o serviço secreto Shin Bet. A imprensa israelense informou que a iminente represália pelo atentado contra a universidade, na qual morreram dois israelenses (um deles de origem argentina) e cinco norte-americanos, será uma "ampla ação" contra o Hamas, decidida ontem pelo ministro de Defesa, Binyamin Ben-Eliezer, e pelo chefe do Estado Maior, Moshe Yaalon. O Hamas, por sua vez, negou ter cidadãos norte-americanos como alvos no ataque de ontem. "O combatente do Hamas não pediu os documentos dos estudantes. Não sabia se eram árabes ou israelenses. Mas não pretendíamos atingir alvos americanos", disse Abdelaziz al-Rantisi, representante do Hamas. Rantisi afirmou que o atentado contra a universidade foi uma represália pelo ataque aéreo israelense contra a Faixa de Gaza, que na semana passada matou um líder do Hamas e mais 14 civis, inclusive nove crianças.

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