Israel e Hamas iniciam cessar-fogo

Trégua na Faixa de Gaza, mediada pelo Egito, é vista com ceticismo

Reuters e AFP, Gaza, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2008 | 00h00

Uma trégua entre o grupo radical palestino Hamas e Israel, negociada pelo Egito, entrou ontem em vigor na Faixa de Gaza, após meses de sangrentos ataques mútuos. No entanto, os dois lados se mostraram céticos quanto ao cumprimento do cessar-fogo - que, pelo acordo, deve durar pelo menos seis meses. Horas antes do início da trégua, às 6 horas locais (zero hora de Brasília), um míssil israelense matou um militante palestino e feriu outro na parte central da Faixa de Gaza, perto de uma cerca na fronteira com Israel.O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse ao jornal Sydney Morning Herald que o acordo de trégua com o Hamas é a última oportunidade para evitar uma grande incursão militar israelense na Faixa de Gaza. Na quarta-feira, Olmert advertiu que o cessar-fogo "poderá ser breve", afirmando que "o Hamas não mudou".O acordo prevê a suspensão dos disparos de foguetes palestinos contra o Estado judeu e dos ataques do Exército israelense a Gaza, assim como o levantamento progressivo do bloqueio imposto por Israel ao território palestino, onde vive 1,4 milhão de palestinos.Também serão reabertas gradualmente as passagens entre Israel e a Faixa de Gaza, quase permanentemente fechadas desde que o Hamas tomou o controle do território, há um ano, após expulsar as forças de segurança ligadas à Autoridade Palestina.Se o cessar-fogo for bem sucedido, serão iniciadas conversações para a libertação do soldado israelense Guilad Shalit, capturado por militantes palestinos em 2006, e para a reabertura da passagem de Rafah, entre Gaza e o Egito. Se a trégua fracassar, Israel tem indicado que lançará uma ofensiva de larga escala em Gaza, o que poderia levar o governo do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, a suspender as conversações de paz.O Brasil saudou o início da trégua. Em uma nota distribuída pelo Itamaraty, o governo manifestou a esperança de que o acordo "represente um passo decisivo para atenuar a grave situação humana e pôr fim aos ataque contra a população civil israelense".

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