Israel e Hamas rejeitam moção da ONU

Combates continuam apesar de Conselho de Segurança pedir cessar-fogo ?imediato e duradouro? na Faixa de Gaza

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

Israel e o grupo islâmico Hamas rejeitaram ontem a resolução do Conselho de Segurança da ONU que pede um cessar-fogo "imediato e duradouro" na Faixa de Gaza e a retirada das forças israelenses da região. A resolução foi aprovada na madrugada de ontem com o apoio de 14 dos 15 membros do Conselho e a surpreendente abstenção dos EUA, aliado tradicional de Israel. "Ao abster-se, os EUA podem estar indicando que se está formando um consenso de que o derramamento de sangue foi longe demais", escreveu a influente revista britânica The Economist em sua versão online.O suposto consenso, porém, parece ainda não ter sensibilizado o governo israelense e o Hamas. "Os lançamentos de foguetes (pelo Hamas) nesta manhã demonstram que essa decisão da ONU é inviável e não será acatada pelas organizações palestinas assassinas", disse o premiê de Israel, Ehud Olmert. Mais tarde, um porta-voz do Hamas disse que o grupo também não estava de acordo com o cessar-fogo porque não foi consultado sobre seus termos e não o considerava "vantajoso para os palestinos". Na Faixa de Gaza, os combates continuaram, elevando o número de mortos no conflito para 800 palestinos (segundo fontes médicas em Gaza) e 13 israelenses. Aviões e helicópteros de Israel bombardearam cerca de 30 alvos em Gaza até o amanhecer - entre eles uma TV iraniana. Durante a manhã, a ofensiva foi retomada. No total, 23 palestinos foram mortos ontem, segundo fontes médicas de Gaza. De acordo com a imprensa israelense, o Hamas lançou mais de 30 foguetes contra as cidades israelenses de Bersheva e Ashkelon, sem deixar vítimas.A rejeição ao pedido de cessar-fogo do Conselho ocorre um dia após a ONU suspender suas ações em Gaza. A decisão foi tomada porque forças de Israel atacaram duas escolas e um comboio da organização. Ontem, contudo, ela anunciou que recebeu garantias do alto comando militar israelense de que os seus trabalhos humanitários serão respeitados (mais informações na pág. 8). ABERTURAA resolução aprovada pelo Conselho na madrugada de ontem foi redigida pelos britânicos e tenta conciliar demandas israelenses e palestinas. Ela prevê, em termos bem vagos, que medidas sejam tomadas para evitar o contrabando de armamento pelo Hamas na fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza - uma exigência israelense.A resolução também inclui a abertura das passagens entre a região, Israel e Egito - o que aliviaria a situação dos palestinos. O Conselho também exigiu a "distribuição de assistência humanitária sem bloqueios em toda a Faixa de Gaza".

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