Israel e Hezbollah ampliam ofensiva; paz no Oriente Médio fica mais distante

Israel lançou uma intensa ofensiva terrestre contra o Hezbollah com 8 mil soldados, fortes bombardeios e uma audaciosa incursão terrestre, mas o grupo guerrilheiro permaneceu resistente - enviando sua maior e mais intensa rajada de ataques de foguetes contra Israel até agora. Três semanas após o começo da guerra, a batalha de Israel parece destinada a ser amarga e longa. No Líbano, cidadãos choraram enquanto maquinas carregavam os corpos do mortos no ataque da madrugada desta quarta-feira contra uma fortaleza do Hezbollah, enquanto no norte de Israel, florestas e campos se mostravam completamente destruídos pelos ataques de foguetes. As esperanças de um cessar-fogo diminuíram apesar de um apelo da Papa Bento XVI para que a comunidade internacional encontre uma solução rápida. O prospecto de uma guerra mais longa já aumentou as tensões no Oriente Médio, onde a hostilidade contra israelenses e americanos agora está aguda. Líderes árabes alertaram repetidamente nos últimos dias que a batalha acabou com qualquer esperança de um acordo de paz a longo prazo com Israel. Mas o primeiro ministro israelense, Ehud Olmert, disse que o país terminaria sua ofensiva apenas depois que uma força de paz internacional robusta estivesse estabelecida no sul do Líbano, para proteger Israel das incursões na fronteira e dos ataques de foguetes. Ele previu que a batalha criaria um "novo impulso" ao plano de Israel de se separar dos palestinos saindo da Cisjordânia. Apesar da resistência do Hezbollah, os oficiais do exército israelense disseram estar confiantes de que isso não afetaria seu objetivo de avançar 6,5 quilômetros dentro do Líbano até quinta-feira. Estima-se que até o momento as forças israelenses tenham adentrado apenas 3,2 quilômetros no território libanês.RevideO revide do Hezbollah foi feroz - tanto no solo quanto no ar. O grupo lançou seus ataques mais intensos até agora, e também disparou um número recorde de mais de 210 foguetes contra Israel. Um americano-israelense foi morto e outras 21 pessoas ficaram feridas em Israel. No Líbano, o índice de mortos durante a incursão israelense e os ataques aéreos contra a fortaleza do Hezbollah em Baalbek chegou a 16.O ataque, o maior feito no norte do Líbano até agora, foi liderado por soldados levados a Baalbek por helicópteros antes do amanhecer, capturando cinco guerrilheiros do Hezbollah e matando pelo menos dez, segundo o chefe do exército de Israel, o general Dan Halutz. Israel não divulgou a identidade dos capturados. Um membro do Hezbollah que não se identificou negou que as pessoas capturadas sejam membros do grupo.Pelo menos 548 libaneses foram mortos desde o começo da guerra há três semanas - incluindo 477 civis, 25 soldados libaneses e pelo menos 46 guerrilheiros do Hezbollah. O ministro da Saúde afirmou que o número poderia ser maior que 750, incluindo aqueles que ainda estão soterrados nos destroços ou desaparecidos.Em Israel, o total de mortos já chega a 55 pessoas - 36 soldados e 19 civis vítimas de ataques de foguetes feitos pelo Hezbollah.DiplomaciaNo campo diplomático, os esforços pelo fim das hostilidades perderam força nesta quarta, com a França afirmando que não participará de um encontro da ONU na quinta-feira que poderia resultar em um acordo para o envio de tropas para ajudar a monitorar o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah. A França, que pode se juntar ou até mesmo liderar um força de paz, disse que não vai conversar sobre enviar forças pacificadoras até que a batalha termine.Em Genebra, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação divulgou que Israel concordou em permitir que dois navios cargueiros naveguem para dentro do Líbano para diminuir um crescente crise de combustível no país.

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