Israel e Hezbollah continuam os ataques; EUA estudam força multinacional

O confronto entre as Forças Armadas de Israel e as milícias libanesas do Hezbollah foi marcado hoje por uma ofensiva de ataques, com mísseis e foguetes de lado a lado. Israel continuou seus bombardeios sobre várias localidades do Líbano, entre elas Sidon - pela primeira vez em 12 dias de ofensiva - e o Hezbollah atingiu com 200 foguetes Katiusha o norte de Israel - vários deles sobre a cidade de Haifa, enquanto prosseguem os combates na fronteira. O conflito começou no dia 12, quando dois soldados de Israel foram capturados por forças do Hezbollah no sul do Líbano. Mais de 310 pessoas morreram no Líbano em conseqüência dos bombardeios de Israel. Dezenas de israelenses morreram nos ataques das milícias libanesas. Pelo menos uma pessoa morreu e outra ficou ferida em Baalbeck, região no leste do Líbano, onde várias aldeias e cidades foram atacadas por aviões israelenses, destruindo fábricas, casas e lugares de culto. Segundo a polícia, dois civis ficaram feridos em Chmastar.Em Sidon, pelo menos quatro pessoas ficaram feridas no primeiro ataque aéreo israelense desde o início da ofensiva contra essa área portuária, refúgio de milhares de pessoas que fogem do sul, que hoje foi atacado novamente, principalmente em Tiro e Nabatiyeh.Os bairros do sul de Beirute, quase completamente destruídos por serem considerados por Israel reduto do Hezbollah, foram alvos de, pelo menos, sete ataques. Os ataques do HezbollahA aviação israelense havia bombardeado antes instalações de telefonia celular e da mídia local, o que resultou em, pelo menos, uma morte e dezenas de feridos, entre eles 15 franceses, afirmou em Amã o ministro francês de Exteriores, Philippe Douste-Blazy.Um ataque aéreo israelense sobre a cidade de Qana fez hoje a primeira morte entre jornalistas que cobrem o conflito ao matar a fotógrafa libanesa Layal Najib.Em Haifa, ao norte de Israel, dois civis morreram e outros dez ficaram feridos devido aos foguetes do Hezbollah. Pelo menos 13 Katyusha foram lançados contra a cidade, a terceira maior do país.Quatro foguetes caíram na vizinha Karmi´el, ferindo duas crianças, segundo fontes hospitalares israelenses. Também foram atacados os subúrbios de Haifa e o povoado de Nesher.A Defesa Civil, que hoje à noite aconselhava a população a voltar a seus postos de trabalho, pede agora que todos fiquem em seus abrigos.Na fronteira entre Israel e Líbano, os combates continuam, confirmou hoje Milos Struger, porta-voz da Força Interina da ONU no Líbano (Finul): "A situação permanece mais ou menos estável".Israel mantém sob controle as localidades libanesas de Maroun al-Ras e de Marwahin. Segundo fontes israelenses e da Finul, no entanto, as tropas se retiraram desta segunda aldeia hoje, pouco depois de tomá-la.EUA estudam força multinacional que vigie um cessar-fogoO governo dos Estados Unidos estuda a possibilidade de que uma força multinacional, que não incluiria tropas americanas, vigie um cessar-fogo no Líbano, embora reitere que a prioridade para Washington é o desarmamento do Hezbollah.O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a secretária de Estado, Condoleezza Rice, reuniram-se hoje na Casa Branca com o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, o príncipe Saud al-Faisal, e o chefe do Conselho de Segurança Nacional Saudita, o príncipe Bandar bin Sultan, para tratar do conflito no Oriente Médio.Rice partirá ainda hoje para o Oriente Médio e se reunirá, em Jerusalém, com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e, na Cisjordânia, com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.Washington "estuda cuidadosamente a possibilidade de uma força multinacional, talvez autorizada pelo Conselho de Segurança" da ONU, disse hoje o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, John Bolton."Mas não seria uma força de capacetes azuis", explicou o diplomata à rede de televisão "Fox", acrescentando que "durante 28 anos houve na região uma força interina da ONU que não foi eficaz".O ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, disse hoje em Jerusalém que seu Governo aceitaria o posicionamento de uma força multinacional, possivelmente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ao longo da fronteira libanesa, para que mantenha o Hezbollah afastado de Israel.Pouco antes, o primeiro-ministro Olmert tinha indicado que as propostas para uma força multinacional são prematuras.O embaixador Bolton disse que a idéia de uma força da Otan "é algo inovador e, seguramente, será seriamente considerada".Chefe humanitário da ONU condena ataques no LíbanoO principal responsável pela ajuda humanitária das Nações Unidas, Jan Egelund, condenou os ataques aéreos israelenses que devastaram Beirute e o sul do Líbano, e pediu que seja aberta uma passagem livre para ajuda à população civil, afirmando que os civis pagam um "preço desproporcional" nos ataques que têm como alvo redutos da guerrilha Hezbollah.Egeland inspecionou pessoalmente a destruição no sul de Beirute - uma área de maioria xiita, que recebeu o grosso dos bombardeios. Israel bombardeou a área horas antes da chegada de Egeland, e voltou a atacar após a partida do representante da ONU, no primeiro bombardeio diurno em vários dias."É terrível. Vejo muitas crianças feridas, sem teto, sofrendo. Esta é uma guerra na qual civis pagam um preço desproporcional, no Líbano e no norte de Israel. Eu não acreditava que veria quarteirão após quarteirão, nivelados no chão", declarou. "Uma resposta desproporcional de Israel e uma violação da lei internacional".Elgeand disse que as nações Unidas lançarão uma operação de alívio das condições da população nos próximos dias, mas advertiu que as frotas de caminhões e navios que trarão suprimentos precisarão de estradas abertas e segurança. Ele disse que a ONU fará um pedido formal de doações para socorrer o Líbano na segunda-feira. "Será um pedido grande, mais de US$ 100 milhões", afirmou.A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que 600 mil pessoas foram deslocadas pelas hostilidades. O ministro libanês das Finanças, Jihad Azour, falando à rede de TV Al-Arabiya, estimou o total de desabrigados e refugiados em 750 mil, quase 20% da população total do país, de 4 milhões.

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