Israel e palestinos discutem temas 'centrais' no processo de paz

Após encontro no Egito, não houve sinais de avanço na questão dos assentamentos judaicos, tida como crucial.

BBC Brasil, BBC

14 de setembro de 2010 | 18h03

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, fizeram nesta terça-feira no balneário de Sharm El-Sheikh, no Egito, a primeira reunião de trabalho após a retomada das negociações diretas de paz, no início do mês.

Em uma declaração após a reunião, o enviado especial dos Estados Unidos - país mediador do encontro -, George Mitchell, disse que as conversas bilaterais trataram de temas "centrais", como fronteiras, refugiados palestinos e o status de Jerusalém, e os dois lados "reiteraram suas intenções de abordar as negociações em boa-fé e com seriedade de propósito".

O enviado reiterou que o objetivo comum continua a ser a coexistência de "dois Estados para dois povos" e conclusão das negociações em um ano.

O encontro, porém, terminou sem avanços visíveis na questão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, considerada crucial nas negociações.

Mitchell disse que pediu a Netanyahu que estenda a suspensão das construções nos assentamentos, que expira no dia 26 deste mês.

Mas Netanyahu vem sinalizando que não pretendia estender a suspensão, em meio à pressões da ala mais linha-dura de seu governo e de colonos israelenses na Cisjordânia.

Jerusalém

O congelamento de dez meses foi estabelecida por Israel no final de 2009, e o lado palestino ameaça abandonar as negociações de paz caso ela não seja mantida.

"Faz sentido estender o congelamento, especialmente porque as conversas estão avançando em uma direção construtiva", disse Mitchell, reiterando declarações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que participou da reunião.

Segundo o chanceler do Egito, Ahmad Abu-Al-Ghayt, "o lado israelense não esclareceu suas intenções (na questão dos assentamentos) nem positiva nem negativamente".

No final do dia, Hillary, Netanyahu e Abbas fizeram uma reunião não agendada, que terminou sem anúncios, e um novo encontro previsto para esta quarta-feira em Jerusalém.

Enquanto isso, segundo o jornal israelense Haaretz, autoridades em Jerusalém planejam discutir em 7 de outubro um plano de construção de 1,3 mil unidades habitacionais no lado oriental da cidade - região que, apesar de não estar incluída na suspensão das construções, é reivindicada pelos palestinos como a capital de seu futuro Estado.

Em abril, durante uma visita a Israel do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o anúncio do governo israelense de que mais 1,6 mil casas seriam construídas em Jerusalém Oriental geraram tensão diplomática entre os dois lados.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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