Israel e palestinos estudam acordo com fim de moratória, dizem fontes

Construção de novos assentamentos seria atrasada e negociações de paz continuariam

estadão.com.br

24 de setembro de 2010 | 16h40

NOVA YORK - Fontes próximas das negociações de paz entre palestinos e israelenses disseram nesta sexta-feira, 24, à rede de notícias CNN que as partes estudam um acordo que prevê a não renovação da moratória que paralisa a construção de assentamentos de Israel e ao mesmo tempo dá garantias aos palestinos para que eles não deixem a mesa de diálogo.

 

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As fontes ouvidas pela CNN, ambas falando em condição de anonimato, disseram que o acordo analisado pelas partes prevê o fim da moratória, mas pede que os projetos de construção de novos assentamentos sejam revistos e necessitem de novas licenças, o que atrasaria a expansão das colônias judaicas. Os palestinos, por sua vez, não poderiam usar o fim da paralisação como um pretexto para deixar as negociações, como têm sido feito.

 

A moratória, declarada por Israel há 10 meses, expira neste domingo, 26. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que as restrições não seriam renovadas, já que o crescimento natural das colônias judaicas não pode ser barrado. O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, por sua vez, ameaça abandonar o diálogo se as construções forem retomadas, embora tenha indicado recentemente que poderia negociar mesmo que a moratória não seja estendida ao dizer que "as conversas são a única forma de chegar à paz".

 

As fontes negaram que o possível acordo já esteja encaminhado, mas afirmaram que a discussão para "uma solução de compromisso acordada mutuamente" está em curso. "Estamos abertos para um compromisso que vai requerer flexibilidade e criatividade de ambos os lados", indicou uma das fontes, pertencente ao governo israelense.

 

As fontes acrescentaram que nenhum anúncio referente à moratória é esperado. A medida que pede a renovação da licença dos assentamentos, segundo elas, seria implementada sem alarde.

 

Embora a medida não se configure tecnicamente como uma moratória, ela permitiria a Abbas ter cobertura política para reclamar vitória sem fazer com que o governo de Israel não se mostre disposto a dialogar, permitindo a continuidade das negociações, retomadas após quase 20 meses de paralisação.

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