FABRICE COFFRINI/AFP
FABRICE COFFRINI/AFP

Israel e palestinos podem ter cometido crimes de guerra, diz relatório da ONU

Analistas das Nações Unidas concluíram que os dois lados podem ter violado a lei lei humanitária internacional e a lei internacional de direitos humanos no confronto na Faixa de Gaza, em 2014

O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 10h41

GENEBRA - O exército israelense e grupos armados palestinos cometeram abusos durante a ofensiva militar de 2014 que podem ser considerados crimes de guerra, segundo um relatório divulgado nesta segunda-feira, 22, pela comissão de investigação da ONU sobre o último conflito na Faixa de Gaza.

Israel qualificou o Conselho de Direitos Humanos da ONU de "parcial" depois da publicação do relatório. O país está analisando o estudo, indicou o ministério das Relações Exteriores em um comunicado, mas o documento "foi dirigido por uma instituição notoriamente parcial e recebeu um mandado abertamente parcial".

"A comissão coletou informações substanciais que apontam sérias violações à lei humanitária internacional e à lei internacional de direitos humanos, tanto por parte de Israel como dos grupos palestinos armados", indica o estudo. Em alguns casos, "estas violações podem ser consideradas crimes de guerra", afirma o documento.

A operação militar israelense contra Gaza realizada entre 8 de julho e 26 de agosto de 2014 causou a morte de 2.251 palestinos (1.462 civis e 551 crianças). Do lado israelense, 67 soldados e 6 civis foram mortos.

A comissão acusa Israel de ter cometido violações tanto no contexto das hostilidades em Gaza como ao realizar assassinatos, torturas e maus tratos na Cisjordânia. Ao todo, 27 morreram e 3.020 ficaram feridos na Cisjordânia entre junho e agosto de 2014, segundo os analistas da ONU.

A comissão questiona o fato de que Israel não tenha substituído a cúpula militar, apesar das acusações que pesam sobre ela e "perante o alto nível de destruição e morte em Gaza".

Sobre os grupos armados palestinos, a comissão denuncia a "natureza indiscriminada dos mísseis lançados contra Israel e que tinham como objetivo atacar os civis, o que viola a lei humanitária internacional e pode constituir crimes de guerra".

A comissão é formada pela americana Mary McGowan Davis e pelo senegalês Doudou Diène, que lamentam que "a impunidade prevaleça" em ambos os lados. "Israel deve romper sua lamentável marca de não exigir responsabilidades dos responsáveis, não só como uma medida de oferecer justiça para as vítimas, mas também como uma medida de garantir a não repetição".

"O estabelecimento de mecanismos de reconhecimento de responsabilidades por violações supostamente cometidas por Israel e palestinos serão fundamentais e um fator decisivo para evitar outra onda de hostilidades no futuro", ressaltam os especialistas.

Os 50 dias de guerra representaram a terceira ofensiva israelense de grande dimensão na Palestina desde 2007. / EFE, AFP e AP

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