Israel e palestinos se acusam por ataques em igreja cristã

Um círculo de pedras marcava hoje o local na Praça da Manjedoura onde um fiel saindo da Igreja da Natividade foi morto neste fim de semana - segundo testemunhas palestinos por disparo israelense. Israel nega ter disparado contra o lugar santo, sobre o tradicional local onde nasceu Jesus Cristo. Na basílica, três janelas foram perfuradas por disparos e padres disseram que a igreja católica adjacente, de Santa Catarina, foi atingida por duas balas durante a missa de domingo aterrorizando fiéis e estilhaçando vidraças. Ninguém ficou ferido. Israel acusa palestinos de promoverem ataques contra alvos israelenses de áreas próximas às igrejas, na esperança de atrair uma resposta que danificaria locais sagrados cristãos. Os militares de Israel disseram que morteiros foram recentemente disparados contra a vizinhança judaica de Gilo a partir do pátio da Igreja de São Nicolau, em Beit Jalla, uma cidade vizinha a Belém. O Exército não respondeu ao fogo, disse o porta-voz militar tenente-coronel Olivier Rafovitch. "Existe um uso cínico e deliberado por militantes palestinos de locais sagrados cristãos para dispararem contra Israel", disse o porta-voz do Ministério do Exterior israelense, Emannuel Nahshon. "Isso é feito deliberadamente a fim de provocar a reação israelense, que de alguma forma iria criar atritos entre o mundo cristão e Israel". Israel já se encontra há cinco dias na cidade bíblica, atraindo fortes protestos de líderes da Igreja, que exigem a imediata retirada israelense. Os líderes das principais correntes cristãs em Jerusalém planejam visitar Belém nesta terça-feira a fim de expressar sua preocupação. No domingo, o papa João Paulo II expressou desgosto com a morte na frente da Igreja da Natividade. Tanques israelenses invadiram grandes áreas de Belém e os arredores de cinco outras cidades da Cisjordânia em resposta ao assassinato na semana passada de um ministro do governo de Israel por militantes palestinos. Israel afirma que a operação militar visa a pressionar o líder palestino Yasser Arafat a prender e entregar ao Estado judeu os assassinos, e também para prevenir outros ataques. Os palestinos têm dito que tentaram levar os responsáveis perante a Justiça, mas não os irá extraditar para Israel. As invasões israelenses têm atraído disparos palestinos. Em Belém, Beit Jalla e no campo de refugiados de Aida, 11 palestinos, entre eles oito civis, já foram mortos nos confrontos desde quinta-feira, segundo médicos palestinos.

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