Israel e Síria anunciam interesse em programa nuclear civil

Declarações foram feitas por autoridades de ambos os países durante uma conferência sobre energia atômica em Paris.

Jonathan Marcus, BBC

09 de março de 2010 | 10h54

Autoridades de Israel e da Síria afirmaram nesta terça-feira, durante uma conferência sobre energia nuclear em Paris, que seus países têm interesse em desenvolver programas nucleares para uso civil.

O ministro da Infraestrutura de Israel, Uzi Landau, afirmou que qualquer usina elétrica nuclear em Israel estaria sujeita a controles estritos de segurança.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Síria, Faysal Mekdad, disse por sua vez que o uso pacífico da energia nuclear não pode ser monopolizado por poucos países.

As preocupações sobre o aquecimento global e sobre os preços da energia estão promovendo um reaquecimento no interesse sobre o uso da energia nuclear em todo o mundo, e o Oriente Médio não é exceção.

Tratado

Israel importa quantidades significativas de carvão para gerar eletricidade, e claramente deseja encontrar uma alternativa.

O uso da energia nuclear já foi discutido antes, mas as propostas nunca foram adiante.

Um dos motivos é o fato de que a construção de um reator nuclear para a geração de energia demandaria ajuda do exterior.

Porém Israel, apesar de ser membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), nunca assinou o tratado de não proliferação nuclear e, suspeita-se, teria um arsenal não declarado de armas nucleares.

Até recentemente, seria impensável para qualquer outro país ajudar Israel a desenvolver um programa de energia atômica sob essas circunstâncias.

Mas um acordo nuclear para uso civil finalizado em 2008 entre os Estados Unidos e a Índia, outro Estado com armas nucleares não signatário do tratado de não proliferação, mudou o contexto.

Israel pode também acreditar agora que uma usina seria menos vulnerável a ataques, por conta das melhorias em seus sistemas antimísseis nos últimos anos.

Reator secreto

A Síria também quer agora usar a energia atômica, mas seu histórico também é complicado.

Acredita-se que uma construção no país atingida por um bombardeio israelense em 2007 era um reator nuclear secreto em construção - algo que a Síria nega veementemente.

A AIEA acusa a Síria de não cooperar com suas investigações.

O ministro israelense Uzi Landau também levantou a possibilidade de um programa nuclear conjunto entre Israel e ao menos alguns de seus vizinhos árabes.

Mas não está claro se a oferta é apenas uma tentativa de embelezar uma proposta polêmica, ou um esforço genuíno para usar o projeto nuclear para aumentar a cooperação na região.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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