Israel é uma fase passageira no Oriente Médio, diz Ahmadinejad

Em Nova York para reunião da ONU, líder iraniano minimiza ameaças recebidas em razão de programa nuclear

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h03

Um dia depois de receber do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, um pedido para controlar "declarações incendiárias", o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou ontem que os israelenses não têm raízes históricas no Oriente Médio. Ele disse ainda que a existência de Israel é apenas uma fase passageira na longa história da região.

Ahmadinejad, que chegou a Nova York no domingo para a reunião anual da Assembleia-Geral, fez os comentários num café da manhã com a imprensa e depois falou por uma hora nas Nações Unidas. Na reunião da manhã, ele afirmou que os israelenses estão na região há apenas 60 ou 70 anos. "Eles não têm raízes na história desse lugar", afirmou.

Numa reunião com iranianos que vivem em Nova York, no domingo, ele menosprezou a importância de Israel e as ameaças militares que este vem fazendo contra o seu país em razão do seu contestado programa nuclear.

"Os sionistas sem cultura que ameaçam a nação iraniana hoje nunca foram levados em conta e nunca receberam a menor atenção da nação iraniana", disse.

Sem mencionar nenhum país especificamente, o iraniano criticou os EUA por ignorarem o arsenal nuclear de Israel enquanto tentam fechar o programa nuclear do Irã. "Alguns membros do Conselho de Segurança com direito de veto escolheram o silêncio no que diz respeito às ogivas nucleares de um regime falso, impedindo ao mesmo tempo o progresso científico de outras nações", disse. O Irã nega que seu programa nuclear tenha fins militares.

Ahmadinejad ainda ironizou a relação entre Israel e EUA, insinuando que os americanos têm recebido ordens de seus aliados. "São os sionistas que devem dizer ao governo americano o que fazer, como impor uma linha vermelha nos assuntos nucleares do Irã? O governo dos EUA tem de tomar este tipo de decisão vital sob a influência sionista?"

Ahmadinejad atacou indiretamente os EUA e outros países por defenderem a liberdade de expressão mesmo quando ela denigra uma religião, numa referência ao vídeo online que ataca o profeta Maomé e incitou, nas três últimas semanas, manifestações em todo o mundo muçulmano. "Eles próprios invocam erradamente a carta da ONU e fazem mau uso da liberdade de expressão para justificar o seu silêncio quando se trata de ofensas aos princípios sagrados da comunidade humana e aos profetas divinos", disse o iraniano.

O presidente iraniano, que tem mais nove meses no cargo, deverá discursar na Assembleia-Geral amanhã, coincidindo com o Yom Kippur, o dia mais santo do judaísmo. / NYT

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