Israel edificará mais casas na Cisjordânia, dizem fontes

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aprovará centenas de novas residências em assentamentos na Cisjordânia antes de reduzir o ritmo das construções, afirmaram hoje dois de seus assessores. A medida ignora os apelos dos Estados Unidos pela paralisação total das edificações nessa área, que os palestinos reivindicam para seu futuro Estado. Os funcionários disseram também que Netanyahu considera um congelamento temporário na construção nos assentamentos. A definição dele para essa medida, porém, incluiria a edificação de novas unidades e a finalização de mais 2.500 obras.

AE-AP, Agencia Estado

04 de setembro de 2009 | 11h27

A suspensão não incluiria Jerusalém Oriental, que os palestinos esperam transformar em sua futura capital. Os EUA reiteram que toda a atividade de assentamentos em terras nas quais os palestinos pretendem ocupar deve cessar, sem exceções. Israel, contudo, aparentemente ganhou margem de manobra nas últimas semanas, enquanto os dois lados discutiam os detalhes de um acordo para a interrupção das construções.

Os dois assessores de Netanyahu falaram sob condição de anonimato. A informação também foi veiculada hoje em veículos importantes da imprensa israelense. Não está claro se Washington sabia anteriormente da notícia, que pode minar a credibilidade da administração Barack Obama no mundo árabe.

O número de assentados israelenses subiu bastante durante décadas e mais que dobrou desde o início dos anos 1990. Atualmente, aproximadamente 300 mil israelenses vivem entre 2,5 milhões de palestinos na Cisjordânia. Mais 180 mil israelenses vivem em Jerusalém Oriental, em bairros capturados por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Oposição interna

Netanyahu enfrenta oposição interna a concessões sobre esse tema. Sua coalizão é dominada por linhas-duras e inclusive membros de seu próprio partido, o Likud, opõem-se à medida. Ministros israelenses e palestinos se encontraram nesta semana para discutir projetos de desenvolvimento. Foi o primeiro encontro de alto nível entre os dois lados desde a posse de Netanyahu, no fim de março. Funcionários dos dois governos também disseram que o primeiro encontro entre Netanyahu e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deve ocorrer ainda neste mês, em Nova York. Os dois líderes estarão na cidade para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

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