Israel encontra corpos de estudantes e ameaça Hamas com represálias

Os três estudantes de religião desapareceram no dia 12, na Cisjordânia; Hamas nega ter relação com os sequestros

O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2014 | 14h40

(Atualizada às 21h20) JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse na segunda-feira, 30, que o Hamas “pagará caro” pela morte dos três adolescentes sequestrados na Cisjordânia ocupada. Os corpos foram encontrados nesta segunda pelas forças de segurança israelenses, que confirmaram se tratar dos três estudantes religiosos desaparecidos desde o dia 12. 

“O Hamas é o responsável e o Hamas pagará caro”, afirmou o primeiro-ministro, em um comunicado. Em seguida, o Exército de Israel destruiu, com explosivos, as casas dos dois principais suspeitos do sequestro. Marwane Qawasmeh e Amer Abu Eisheh são membros do Hamas em Hebron. A decisão foi tomada após uma reunião de emergência do gabinete israelense para avaliar possíveis represálias.

Os três adolescentes, Eyal Yifrach, de 19 anos, Gilad Shaar, de 16, e Naftali Fraenkel, de 16 - que também tinha cidadania americana -, foram vistos pela última vez entrando em um carro, no dia 12 em um ponto onde pediam carona no assentamento de Gush Etzion. Seus corpos foram encontrados não muito distantes dali, ao norte de Halhul, perto de Hebron.

As buscas pelos jovens converteram-se em uma obsessão nacional e as autoridades lançaram uma ampla operação. Segundo o Exército de Israel, nos últimos 18 dias, 370 militantes islâmicos foram presos, embora a Associação de Prisioneiros Palestinos afirme que esse número seja 600. 

Fontes do serviço de segurança afirmaram à agência EFE que o serviço secreto israelense obteve a pista sobre a localização dos corpos após interrogar os primeiros detidos e passou a concentrar as buscas ao redor da cidade de Hebron. 

A agência de segurança Shin Bet disse que os corpos estavam enterrados em um campo. Binyamin Proper, um dos civis que ajudaram a encontrar os adolescentes, disse ao Canal 2 que um dos membros da equipe de busca “viu algo suspeito no chão, sob a vegetação que parecia fora de lugar”. Depois de remover o mato e as pedras, explicou, encontrou os corpos. 

Uma fonte do Exército de Israel afirmou ao New York Times que, aparentemente, os três foram baleados “muito provavelmente logo depois de terem sido sequestrados”. Um veículo queimado foi encontrado em uma região próxima do local onde estavam os corpos. 

O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou que seu país combaterá com “mão de ferro” o terrorismo e levará à Justiça os terroristas que assassinaram os estudantes. 

O movimento radical islâmico Hamas, que nega responsabilidade no sequestro, afirmou que culpará Israel por qualquer escalada de violência e advertiu Netanyahu que “as portas do inferno se abrirão para ele” caso o premiê inicie uma guerra na Faixa de Gaza, território palestino governo pelo grupo. 

Na Cisjordânia, o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, também convocou uma reunião de emergência para analisar a situação. Seu grupo, o Fatah, governa esse outro território palestino, onde os corpos foram encontrados. 

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“O Hamas é o responsável e o Hamas pagará caro”
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O Canal 2 afirmou que as autoridades da AP estavam em “intenso contato” com Washington para tentar “tranquilizar” a situação e impedir uma operação militar contra Gaza. 

Umas das questões que ainda estavam abertas na reunião emergencial do gabinete israelense era sobre o grau de participação dos líderes do Hamas na decisão de sequestrar os rapazes. 

Repercussão. Na repercussão internacional do caso, o presidente Barack Obama ofereceu o apoio dos EUA para que palestinos e israelenses “trabalhem juntos” para encontrar os responsáveis pelos assassinatos. “Os EUA condenam nos termos mais fortes possíveis esse ato de terror sem sentido contra jovens inocentes.” 

O Vaticano também criticou o que chamou de ato “execrável e inaceitável”. “A violência chama a violência e alimenta o círculo mortífero de ódio”, afirmou o porta-voz, Federico Lombardi. 

Em Tel-Aviv, israelenses acenderam velas na praça onde o premiê Yitzhak Rabin foi assassinado em 1995 para homenagear os jovens. / EFE, REUTERS e NYT 

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