Israel envia emissário para debater plano egípcio

Israelenses recebem proposta de forma positiva, Hamas tem reservas

Gustavo Chacra, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 00h00

Os esforços diplomáticos para um cessar-fogo no conflito entre Israel e o Hamas ganharam impulso ontem e uma trégua pode ser anunciada nos próximos dias. Os israelenses disseram que viam positivamente uma proposta de trégua apresentada pelo Egito e pela França. O Hamas disse ter algumas reservas. Os EUA, apesar de ausentes nas negociações, apoiaram o plano elaborado pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, e pelo francês, Nicolas Sarkozy. Veja a linha do tempo multimídia da ofensiva na Faixa de Gaza No fim da noite, Amos Guilad, assessor do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, viajou ao Egito para participar das negociações, que devem começar hoje no Cairo. A Autoridade Palestina e o Hamas enviarão representantes, disse o embaixador do Egito na ONU, Maged Abselaziz. A proposta prevê mecanismos para acabar com o lançamento de foguetes pelo Hamas e o contrabando de armas para Gaza, além da abertura das passagens para o território para o envio de ajuda humanitária. Segundo informações não confirmadas, o plano prevê a presença de forças internacionais na fronteira do Egito com Gaza compostas por americanos - o que agradaria Israel - e turcos - para agradar árabes e muçulmanos. A União Europeia contribuiria com assistência técnica e financeira. A principal demanda de Israel é o fim do contrabando de armamento do Egito para a Faixa de Gaza por meio de túneis escavados por militantes do Hamas. Já o Hamas exige que o bloqueio imposto à Faixa de Gaza seja levantado. Israel e o Egito mantêm fechadas as suas fronteiras com o território palestino, cujo espaço aéreo e marítimo é controlado pelos israelenses. Esse cerco impede que habitantes da região consigam importar e exportar produtos.No que já seria o primeiro passo para uma trégua, os dois lados concordaram em suspender os ataques diariamente por três horas. Após o encontro com Mubarak, Sarkozy chegou a anunciar que os dois lados tinham concordado com o cessar-fogo, mas depois teve de desmentir a informação."Recebemos bem a iniciativa da França e do Egito e queremos que ela tenha sucesso", disse o porta-voz do governo de Israel, Mark Regev. Os israelenses, porém, rejeitaram um cessar-fogo de 48 horas, dizendo que só aceitam um acordo definitivo.As informações que partiram do Hamas foram desencontradas, mas também havia alguns sinais de que o grupo vê positivamente a proposta. No meio diplomático, afirma-se que até o fim desta semana pode haver um acordo, especialmente com o envolvimento americano.OBAMAO apoio dos EUA à proposta de Sarkozy foi confirmado pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, num telefonema para a chanceler israelense, Tzipi Livni. "Acreditamos que o cessar-fogo seja necessário, mas a trégua não pode significar o retorno ao status quo anterior", disse Condoleezza, no Conselho de Segurança da ONU.Segundo a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, a trégua é urgente porque os americanos não querem que a posse de Barack Obama, no dia 20, ocorra em meio a um conflito no Oriente Médio. O CS da ONU suspendeu ontem as conversações ao não alcançar um consenso sobre o plano egípcio.A PROPOSTAFoguetes do Hamas: Todos os disparos da Faixa de Gaza contra o sul de Israel devem cessar imediatamenteForças internacionais: Tropas de países estrangeiros impediriam o contrabando de produtos e armas para Gaza a partir do Egito. Militares americanos, para agradar a Israel, e turcos, para agradar aos países árabes, fariam parte da forçaAbertura de fronteiras: Ajuda humanitária deveria passar livremente pelas fronteiras da Faixa de Gaza com Israel e Egito

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