REUTERS/Nir Elias
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Israel envia tropas para a fronteira e reforça segurança interna; Hamas mira aeroporto

Movimento árabe anunciou lançamento de um potente foguete contra o segundo aeroporto de Israel e pediu que companhias aéreas cancelem voos; Gantz convoca forças de seguranças para conter violência em cidades divididas entre árabes e judeus

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2021 | 08h00
Atualizado 13 de maio de 2021 | 11h52

A escalada da violência entre israelenses e palestinos aumentou nesta quinta-feira, 13, em duas frentes: a intensificação dos bombardeios na Faixa de Gaza, de onde militantes árabes lançam seus foguetes na direção do território israelense, e os distúrbios em várias cidades divididas por árabes e judeus. Enquanto israel movimenta tropas para a fronteira com Gaza e para as cidades onde o clima é mais tenso, o movimento palestino Hamas anunciou o lançamento de um potente foguete, com 250 km de alcance, contra o segundo aeroporto do país.

De acordo com um porta-voz do Hamas, o foguete tem como alvo o aeroporto Ramon, localizado próximo da cidade de Eilat, no sul de Israel. O local estava recebendo voos desviados de Tel-Aviv por razões de segurança. O grupo palestino pediu que "companhias aéreas internacionais que suspendam imediatamente todos os voos" com destino a Israel. Desde segunda-feira, o Hamas lançou mais de 1.600 foguetes contra Israel, enquanto o exército israelense bombardeou Gaza mais de 600 vezes, de acordo com fontes militares. O grande número de projéteis e armamentos bélicos no espaço aéreo israelense já havia alterado o cronograma de voos no país em dias anteriores.

A autoridade de aviação civil de Israel comunicou o desvio de todos os voos com destino ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, de Tel Aviv, para o aeroporto de Ramon. Várias companhias aéreas já anunciaram o cancelamento de voos para Israel. Fontes da United Airlines e American Airlines afirmaram à AFP que os voos dos Estados Unidos para Israel foram cancelados "até 15 de maio".

Em solo, Israel posiciona tropas de combate ao longo da fronteira de Gaza. Segundo um porta-voz das Forças de Defesa de Israel, os homens estão em "vários estágios de preparação de operações terrestres", trazendo à lembrança incursões semelhantes realizadas durante as guerras Israel-Gaza em 2014 e 2008-2009. "O Chefe do Estado-Maior está inspecionando esses preparativos e fornecendo orientação", disse o tenente-coronel Jonathan Conricus.

Em paralelo aos bombardeios, são registrados cada vez mais distúrbios nas cidades chamadas de "mistas", onde convivem israelenses e palestinos que têm cidadania israelense. "A violência dentro de Israel atingiu um nível inédito em décadas", declarou o porta-voz da polícia israelense, Micky Rosenfeld, à AFP. Ele informou que quase mil agentes da guarda de fronteira foram mobilizados para conter a violência. Mais de 400 pessoas foram detidas.

O ministro da Defesa, Benny Gantz, ordenou uma nova movimentação de forças de segurança para cidades coabitadas por árabes e judeus para conter a violência interna. "Estamos em uma situação de emergência (...) e agora é necessário reforçar de forma massiva as forças sobre o território", disse em um comunicado, pelo qual informou que seriam convocados oficiais da reserva da guarda fronteiriça, que normalmente opera na Cisjordânia ocupada.

Em Lod, uma cidade industrial onde 40% da população é palestina com cidadania israelense, ou seja, descendentes dos palestinos que permaneceram em suas terras em 1948, após a criação do Estado de Israel, a tensão disparou entre jovens árabes e grupos de judeus extremistas. Membros da minoria árabe organizaram violentos protestos pró-palestinos, enquanto ataques de judeus contra árabes também pioraram da noite para o dia. Mais de 150 prisões foram feitas durante a noite em Lod e nas cidades árabes no norte de Israel, disse a polícia.

"O que está acontecendo nos últimos dias nas cidades de Israel é insuportável (...) nada justifica este linchamento de árabes pelos judeus e nada justifica o linchamento de judeus pelos árabes", declarou o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, antes de afirmar que Israel enfrenta um "combate em duas frentes".

Em Gaza, 83 palestinos morreram nos ataques israelenses desde segunda-feira, incluindo 17 menores de idade, e 487 pessoas ficaram feridas, informou o Ministério da Saúde da Faixa. No sul de Israel, sete pessoas morreram, incluindo uma criança de seis anos, depois que um foguete atingiu sua residência, informaram as equipes de emergência. Na fronteira, um militar israelense, identificado como Omar Tabib, morreu militantes do Hamas atacarem usando munição antitanque.

Ao mesmo tempo, a aviação israelense bombardeou posições do Hamas na Faixa de Gaza - território palestino com dois milhões de habitantes sob bloqueio de Israel -, incluindo locais relacionados com operações de "contraespionagem" do grupo islamita e a residência de Iyad Tayeb, um dos comandantes do movimento. Na quarta-feira, 12, o grupo islamita anunciou a morte do comandante de seu braço militar para a cidade de Gaza, a principal do território palestino.

Com a intensificação dos combates, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) terá uma nova reunião nesta sexta-feira, 14, a terceira em uma semana.

/ AFP, REUTERS E EFE

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