Israel estabelecerá zona tampão no sul do Líbano

Israel estabelecerá uma zona de segurança no sul do Líbano até que tropas estrangeiras sejam posicionadas na região ou o Hezbollah saia da fronteira entre os dois países em um acordo de cessar-fogo, anunciou nesta terça-feira o ministro da Defesa israelense, Amir Peretz.Por 18 anos, forças israelenses mantiveram uma zona tampão com a ocupação de uma faixa ao sul do território libanês, mas com uma resolução da ONU estabelecida em 2000, os militares deixaram a área. Com os comentários desta terça-feira, no entanto, Peretz torna-se a primeira autoridade israelense no atual conflito a manifestar apoio público ao reerguimento de uma zona de segurança no sul do Líbano.Peretz não deu detalhes se soldados israelenses serão posicionados na fronteira ou se a zona tampão será mantida com bombardeios. Inicialmente, Israel opunha-se à presença de forças estrangeiras no sul do Líbano, preferindo o deslocamento de tropas libanesas, mas nos últimos dias sinalizou que aceitaria um contingente de paz liderado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).O ministro falou durante o 14º dia da ofensiva militar israelense contra alvos do Hezbollah em território libanês. Israel iniciou os ataques depois que militantes do grupo extremista xiita invadiram o território judeu e mataram e capturaram militares israelenses. A ofensiva, no entanto, não refletiu em uma diminuição nos ataques com foguetes do Hezbollah contra cidades do norte de Israel. Só nesta terça-feira, mais de 80 projéteis atingiram o território israelense, matando uma menina de 15 anos em um vila árabe e ferindo duas dezenas de pessoas em cidades próximas à fronteira.ComedimentoApesar dos constantes fracassos para barrar os ataques com foguetes, líderes políticos israelenses dizem que um dos objetivos da ofensiva é desmantelar o Hezbollah.Os comandantes militares israelenses, no entanto, são mais comedidos em suas propostas. Eles dizem que as tropas israelenses que tomaram um dos bastiões do Hezbollah no sul do país nesta terça-feira, a cidade de Bint Jbail, permanecerão próximos à fronteira e não avançarão mais em território libanês. Segundo esses militares, o objetivo da ação é matar o maior número possível de guerrilheiros e expulsar os restantes da região de fronteira."Nós estamos lidando com as vilas e cidades próximas à fronteira, para limpar a infra-estrutura do Hezbollah", disse o General Ido Nehushtan. "Nosso objetivo não é ocupar o território."O ministro Amir Peretz, por sua vez, argumentou que Israel manterá uma zona de segurança na região até que uma força multinacional com "capacidade reforçada" seja enviada à fronteira. Uma outra opção, destacou o ministro, seria a assinatura de um acordo de cessar-fogo que empurre os guerrilheiros para o norte do território libanês e cancele o fornecimento de armas para o Hezbollah.Ele sugeriu que Israel poderá manter a zona tampão sem reocupar a região. "Continuaremos a controlar (o Hezbollah) afastando qualquer um que tente chegar perto da zona de segurança com o fogo de nossa artilharia."TraumaA criação de uma zona de segurança na região é uma idéia que provoca forte comoção na opinião pública israelense e libanesa, e remete a um dos mais decisivos capítulos da história de Israel: a invasão ao Líbano de 1982 e a subseqüente ocupação de partes do país.Durante esse período, tropas israelenses patrulhavam a fronteira sul do Líbano para prevenir ataques o Hezbollah contra o norte de Israel. A retirada israelense em 2000 foi gerada, em grande medida, pelo descontentamento em relação ao crescente número de mortos entre os soldados que atuavam na zona de segurança.Matéria atualizada às 17h05

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