Israel estuda troca por militar capturado por palestinos

Os sete integrantes do gabinete de segurança de Israel se reuniram hoje pela quinta vez em 24 horas para analisar uma possível troca de prisioneiros palestinos pelo militar Gilad Shalit, capturado há mais de três anos por milicianos ligados ao grupo islâmico Hamas na fronteira israelense com a Faixa de Gaza. A mãe do soldado, Aviva Shalit, disse em Jerusalém que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lhe prometera que em "poucas horas" seria alcançado um acordo sobre seu filho, talvez já amanhã. Os pais de Shalit intensificaram uma campanha para pressionar por uma troca.

AE-AP, Agencia Estado

21 de dezembro de 2009 | 20h02

Netanyahu e os seis ministros que integram o gabinete de segurança se reuniram duas vezes ontem e mais três hoje, sem conseguir chegar a um acordo. Segundo a rádio pública de Israel, três ministros, entre eles o de Defesa, Ehud Barak, concordam que Israel liberte centenas de presos palestinos em troca de Shalit, como exige o Hamas. Outros três ministros, entre eles o chanceler Avigdor Lieberman, manifestaram-se contra.

Netanyahu, cuja palavra tem um peso determinante, inicialmente se mostrou contra a libertação de alguns presos que foram condenados por organizar atentados suicidas, temendo novos ataques. Qualquer que seja a decisão, é provável que Netanyahu a submeta à votação de todo o seu gabinete. Shalit, de 23 anos, foi capturado em 25 de junho de 2006 na fronteira com a Faixa de Gaza por um grupo de militantes palestinos ligado ao Hamas.

Para o direitista Netanyahu, que sempre se opôs a negociações com militantes, a libertação dos presos representa um particular dilema. Além de estar sendo pressionado pelos pais do soldado, o chefe de governo também sofre pressões dos parentes dos israelenses mortos por palestinos para que não aceite suas libertações. O encontro de hoje coincidiu com uma manifestação nas imediações do gabinete de Netanyahu, na qual centenas de pessoas exigiam do primeiro-ministro que acabasse logo o que começou, referindo-se às negociações de troca.

Os manifestantes colocaram numerosas reproduções em tamanho real do soldado, que seria solto em troca da libertação de cerca de mil dos 11 mil palestinos presos em Israel. "Entendo qual é o dilema, mas Gilad está cativo há 1.275 dias. Os que estão decidindo têm de perceber que seu voto pode levar a dois resultados: a pena de morte para Gilad ou sua liberdade", disse a mãe do soldado, durante a manifestação.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelPalestinasoldadotroca

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.