Israel faz dia de luto pelas vítimas do genocídio nazista

A comunidade judaica de Israel iniciará nesta segunda-feira no Museu do Holocausto (Shoá) o dia de atos oficiais em memória das vítimas do nazismo durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) na Europa e no norte da África. Às 20h (15h de Brasília), o principal ato acontecerá na Praça do Levante do Gueto de Varsóvia, na esplanada que leva ao Museu Yad Vashem, dedicado a seis milhões de civis judeus assassinatos - sendo um milhão e meio de crianças - e aos combatentes clandestinos da resistência. O tema central dos atos deste ano é "A imagem do ser humano à sombra da morte". Ao contrário de outros genocídios na história, o massacre de um terço do povo judeu há pouco mais de 60 anos foi planejado e executado de forma sistemática pelo governo do líder alemão Adolf Hitler. O executor do plano "a solução final", o coronel Adolf Eichman, foi um dos hierarcas nazistas que após a guerra escaparam dos Julgamentos de Nuremberg - nos quais em 1935 foram sancionadas as leis raciais para conservar "a pureza ariana" - e fugiram para a América do Sul. Em 1960, agentes dos Serviços Secretos de Israel (Mossad) seqüestraram Eichman na Argentina. Em Israel, julgado como criminoso de guerra, foi condenado à forca. Seu corpo foi incinerado e as cinzas jogadas no Mar Mediterrâneo. O Dia da Lembrança (Iom Hazikarón) começará com o som das sirenes em todo o país. Os alarmes serão tocados novamente na terça-feira, às 11h (9h de Brasília), e durante dois minutos todas as atividades, inclusive o trânsito, serão paralisadas. Após a rendição do Terceiro Reich alemão diante das forças aliadas que o derrotaram em 1945, milhares de sobreviventes judeus dos campos de trabalhos forçados e de extermínio conseguiram chegar ao litoral da Palestina, a antiga Terra de Israel, então sob domínio da Inglaterra, que tentou impedir esta chegada. Seis desses sobreviventes acenderão hoje à noite no Museu Yad Vashem seis tochas em memória das vítimas, civis acusados pelo regime nazista de ter causado os males sofridos pela Alemanha após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Três anos após o genocídio, graças a uma resolução da Assembléia Geral da ONU rejeitada pela Liga Árabe, David Ben Gurion proclamou o Estado judeu em Tel Aviv em 14 de maio de 1948. Horas depois, uma invasão dos árabes deu início à primeira guerra do Oriente Médio, que durou até os armistícios de Rodas de 1949. Calcula-se que milhares de pessoas conseguiram salvar suas vidas e se estabeleceram no Estado israelense. A metade delas, segundo um relatório divulgado nesta segunda pela Fundação Amja, que os protege, morrerá na próxima década. Alguns dos membros do Estado-Maior israelense, como o comandante da Força Aérea Eliezer Shkedi, são filhos dessas vítimas, e muitos de seus netos são soldados e oficiais militares. Um relatório anual divulgado nesta segunda pelo diretor do Centro Wiesenthal em Israel, Efraim Zuroff, inclui Espanha, Colômbia e Costa Rica, entre vários países europeus, na lista dos que fizeram "esforços insuficientes ou sem sucesso" na investigação ou perseguição de criminosos nazistas em seus respectivos territórios. Brasil, Argentina, Venezuela, Paraguai, Uruguai e Chile, aponta o relatório, não responderam a uma pesquisa desse centro, fundado pelo falecido "caça-nazistas" Simon Wiesenthal, que conseguiu descobrir o paradeiro de mil criminosos de guerra e levá-los a julgamento.

Agencia Estado,

24 Abril 2006 | 09h47

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