Israel faz maior exercício de guerra de sua história

Sirenes antiaéreas soaram por 90 segundos em Israel; ao menos a metade da população permanece em bunkers por 10 minutos

Nathalia Watkins, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

Pelo menos metade da população israelense obedeceu as orientações do Comando de Defesa Civil e participou do maior exercício de simulação de guerra da história de Israel. Sirenes antiaéreas soaram durante um minuto e meio em todo o país por duas vezes - uma de manhã e outra pela tarde - e a população foi instruída a permanecer no bunker mais próximo por dez minutos.

No centro de Tel-Aviv, poucos foram os israelenses que realmente procuraram abrigo ao escutar a sirene. "Não há como se preparar de verdade para catástrofes desse tipo. Por isso simplesmente continuei trabalhando. O destino está traçado", disse Alon Cohen, dono de uma barraca de frutas no Shuk Hacarmel, a principal feira de Tel-Aviv.

"Eu estava numa cafeteria com amigos, quando ouvi a sirene tocar. Corri para o bunker, mas meus amigos continuaram sentados na mesa e riram de mim", contou a estudante Hadas Levi.

Na região sul de Israel, alvo de constantes ataques com foguetes lançados da Faixa de Gaza, a sirene soou duas vezes por engano, causando pânico entre os moradores. O Comando de Defesa Civil alertou que a sirene seria repetida caso Israel fosse realmente atacado.

Nas prefeituras, escritórios governamentais, empresas privadas, escolas e jardins de infância os cidadãos foram orientados sobre como se proteger em situações de risco e treinar a identificação e chegada aos abrigos.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e integrantes de seu gabinete foram levados a um abrigo recém-construído nos arredores de Jerusalém. A instalação teria capacidade de suportar um ataque nuclear.

Inimigos múltiplos. O exercício incluiu diversos cenários, como ataques simultâneos com diferentes tipos de mísseis em todo o país, ataques a usinas elétricas e invasão de hackers aos sistemas israelenses.

O pior teste para o qual o país se preparou foi o ataque simultâneo com foguetes de diferentes tipos do Irã, Síria, Líbano e Gaza - principais inimigos.

O treinamento, que durou cinco dias, teve como objetivo avaliar a preparação dos serviços de emergência em caso de ataque em massa com foguetes convencionais e químicos.

Além da realização do exercício, o comando de Defesa Civil reforçou suas instruções por meio de campanhas televisivas e visitas às maiores empresas no país. Desse modo, os israelenses aprenderam a vestir as máscaras de gás, distribuídas gratuitamente aos cidadãos, e a transformar seu bunker doméstico convencional em um quarto protegido também contra ameaças químicas e biológicas.

Desde o ataque do Iraque contra Israel, em 1991, durante a Guerra do Golfo, todas as casas construídas contam com um abrigo interno.

Na semana passada, o Exército israelense realizou treinamentos simulando atentados e sequestros em Eilat, balneário situado na fronteira com o Egito. A relação entre os países tornou-se ainda mais delicada após a queda do ditador Hosni Mubarak e a reabertura da passagem fronteiriça de Rafah, que Gaza ao território egípcio.

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