Gali Tibbon/AFP
Gali Tibbon/AFP

Israel homenageia Aznavour por ajuda de família a judeus na 2ª Guerra

Durante três anos, a família do cantor ajudou a esconder judeus e armênios em seu apartamento em Paris

O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 18h51

JERUSALÉM - Charles Aznavour, 93 anos, lenda da música francesa e diversas vezes premiado, recebeu outra condecoração nesta quinta-feira, 26, em Jerusalém, em homenagem a ajuda dada por sua família a judeus e armênios durante a 2ª Guerra.

O autor de "La Bohème", recebeu das mãos do presidente israelense Reuven Rivlin a medalha Raul Wallenberg, outorgada pelo comitê de mesmo nome, com sede em Nova York. 

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Durante três anos, os Aznavour colocaram suas vidas em risco por ajudar a esconder judeus e armênios em seu modesto apartamento parisiense, segundo o comitê, que tomou conhecimento desse fato a partir de informações de um diplomata sueco famoso por ter ajudado milhões de judeus a fugirem da Hungria nos tempos de Holocausto. 

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"Podemos ler no Talmud (texto central da religião judaica), que quem salva uma só vida, salva a todas", declarou o presidente Rivlin, "você e a sua família, querido Charles, salvaram a muita, muita gente durante os sombrios dias da 2ª Guerra, na França ocupada pelos nazistas", acrescentou. 

Rivlin não conteve a alegria pessoal em receber Charles Aznavour, diferentemente de todas as outras visitas que costuma receber. "Minha mulher e eu nos identificamos com as suas músicas, as magníficas canções de Charles Aznavour", disse ao artista. 

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"'La Bohème' era a nossa música", disse. "Tenho outra para você, muito especial", interrompeu o autor de "Os prazeres antigos", seguidas de gargalhadas. "Recebemos muita gente aqui", continuou o presidente, "mas hoje é realmente uma alegria". 

"É o que disse para mim mesmo hoje de manhã ao acordar", relatou a esposa de Rivlin, por sua vez. "Temos tantas coisas em comum, os judeus e os armênios, em relação a felicidade, desgraça, no trabalho, música, nas artes", disse o artista, ressaltando que ter "um pouco a impressão de que vim ao mesmo esconderijo da minha família, porque porque temos os mesmos hábitos, tanto de viver, como de comer e beber. 

Aznavour, que se apresentará no sábado em Tel Aviv, decidiu receber o seu prêmio em Israel por causa de sua "forte aproximação com o país e com o povo judeu", comunicou a presidência. / AFP

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