Israel impõe condições para missão da ONU em Jenin

O governo israelense anunciou hoje que só permitirá a atuação de uma comissão da ONU para investigar se houve excessos em sua ação militar no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia, depois de as Nações Unidas esclarecerem com precisão o mandato da equipe de investigadores. As autoridades israelenses querem também que as apurações se estendam aos atentados cometidos por palestinos contra cidadãos de Israel e a inclusão de especialistas militares e em contraterrorismo na comissão. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, não descartou hoje a possibilidade de incluir os especialistas na comissão, mas sem alterar o núcleo de três membros nomeado no começo da semana: o ex-presidente finlandês Martii Ahtisaari, a ex-alta comissária para refugiados da ONU Sadako Ogata e o ex-presidente da Cruz Vermelha Internacional Cornelio Sammaruga. "A partida da equipe (investigadora) foi adiada em razão do pedido de consultas apresentado pelo embaixador de Israel (na ONU)", disse, em Nova York, o porta-voz das Nações Unidas, Fred Eckhard. "De todo modo, a partida da missão para o Oriente Médio está prevista para sábado." Os palestinos alegam que tropas israelenses massacraram civis palestinos durante oito dias de pesados combates em Jenin. Israel rejeita as acusações, assinalando que quase todos os mortos eram combatentes palestinos. Funcionários israelenses manifestaram preocupação de que a comissão nomeada pela ONU estivesse inclinada de antemão a condenar Israel. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, havia concordado na semana passada em colaborar com a equipe da ONU. Mas recuou na terça-feira, após reunir-se com seu ministro da Defesa, Binyamin Ben-Eliezer, e funcionários da inteligência e da chancelaria de Israel. Em Washington, o secretário de Estado americano, Colin Powell, declarou perante uma comissão do Senado americano que não havia prova de que um massacre tivesse ocorrido em Jenin. "Evidentemente, é possível que vidas inocentes tenham sido perdidas, mas não há provas de valas comuns ou de que se tenha produzido um massacre", declarou. Militares israelenses defendem a operação em Jenin assinalando que o campo de refugiados era uma das principais origens dos extremistas que perpetraram ataques suicidas contra civis. O Crescente Vermelho palestino - equivalente muçulmano da Cruz Vermelha - assegurou hoje que os cadáveres de mais de cem civis foram retirados das ruínas dos edifícios destruídos por blindados israelenses no acampamento. "Israel simplesmente mentiu quando anunciou que os mortos em Jenin eram cerca de 50" afirmou o presidente da entidade, Fatih Arafat - irmão do presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat.

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