Israel impõe condições para reconhecer governo de união nacional palestino

Israel só reconhecerá um governo palestino de união nacional entre os movimentos Fatah e Hamas se o mesmo atender às exigências do Quarteto de Madri, disse nesta terça-feira a ministra deRelações Exteriores israelense, Tzipi Livni. A ministra declarou que "a comunidade internacional tem neste momento uma função importantíssima: exigir que essas exigências sejam cumpridas". O Quarteto de Madri, composto por Estados Unidos, União Européia (UE), Rússia e ONU, pretende impulsionar o estagnado processo de paz na região segundo o plano conhecido como "Mapa de Caminho", proposto há três anos. A responsável pela diplomacia israelense reivindicou que o Hamas desarme a sua milícia, reconheça a legitimidade do Estado israelensefundado em 1948, e respeite todos os acordos assinados pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) com Israel desde 1993. "Este não é só um problema israelense. É também para os palestinos, pois se não aceitarem as condições ficaremos num conflito sangrento", acrescentou. Livni opinou que "quando há líderes fracos o papel da comunidade internacional é manter suas exigências e, assim, dar a eles a força necessária para mudar a sociedade palestina". "A pergunta central é se o anunciado governo palestino de união nacional traz consigo uma mudança autêntica", de acordo com as exigências da comunidade internacional, compartilhadas por Israel, "ou se é apenas uma compra a baixo preço de um bilhete para entrar nas Nações Unidas", afirmou. Segundo o acordo de anunciado segunda-feira entre o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro, Ismail Haniye, do Movimento Islâmico Hamas, o novo governo de unidade terá de ser formado dentro de 36Horas. O novo governo substituirá o de Haniye, que rejeitou as condições do Quarteto de Madri (Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU). Por isso, ficou isolado dos principais doadores daANP. O ministro de Turismo de Israel, Isaac Herzog, do Partido Trabalhista, declarou à rádio pública que é preciso "esperar para ver o que as partes decidem, e não fechar as portas. Mas o fatode que o Hamas não reconhece o Estado de Israel é um problema muito sério". Para Israel, "a solução da questão palestina é muito importante, vital. Devemos criar uma nova realidade para negociar, não dizer quetudo é impossível", concluiu Herzog.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2006 | 04h39

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.