Israel impõe mais uma condição para missão da ONU

Israel coloca mais uma condição para a ida de uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU) para investigar a crise nos territórios ocupados da Palestina e muitos diplomatas já questionam a credibilidade e a independência da equipe internacional. Em uma reunião realizada hoje em Genebra, representantes do governo de Ariel Sharon querem que a ONU inclua não apenas civis na equipe que visitará a região, mas também militares. O motivo é a tentativa de Israel de justificar suas ações dentro da lógica de uma guerra. Portanto, a presença de militares internacionais seria essencial para que Israel consiga explicar porque tomou a decisão de invadir certos campos de refugiados. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, designou o ex-presidente finlandês Martii Ahtisaari, a ex-alta comissária da ONU para refugiados Sadako Ogata e o ex-presidente da Cruz Vermelha Internacional Cornelio Sammaruga para formar a missão. O problema é que os israelenses querem que a inclusão do general aposentado William Nash, dos Estados Unidos, como membro efetivo da equipe, e não apenas como um assessor. O envolvimento dos israelenses e dos norte-americanos na preparação da equipe internacional está irritando os embaixadores dos países árabes na ONU. "Que independência terá uma missão composta por um militar norte-americano", questiona um diplomata árabe. Outro diplomata lembra que os Estados Unidos apenas apresentaram a proposta de uma missão de investigação depois de consultar os israelenses. Além disso, ele lembra que o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, teria declarado que não sabe da existência de um massacre em Jenin. Outra prova da falta de liberdade da missão é o fato de Israel ter recusado, na semana passada, a ida de outra equipe da ONU formada pela Alta Comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas, Mary Robinson, e pelo ex-premiê espanhol Felipe Gonzalez. Segundo Israel, a equipe era "parcial".

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