Israel impõe normas para noticiários sobre guerra

Os palestinos que morrem em confrontos com o exército israelense não poderão mais ser chamados de "vítimas" e só poderão ser mencionados como "mortos", segundo as novas diretrizes recebidas pelos jornalistas do serviço em língua árabe da rádio estatal de Israel. O aviso foi divulgado hoje pelo jornal israelense Haaretz, que publica uma lista das novas normas a que os informantes devem submeter-se. Por exemplo, nos noticiários já não será suficiente dizer que um porta-voz militar israelense "negou" a versão de um determinado episódio fornecida por uma fonte palestina, mas deverá também enfatizar que se trata de uma "mentira" sem nenhum fundamento. Os jornalistas não poderão mais dizer que um deputado da Knesset (Parlamento) "rejeitou" as afirmações dos primeiro-ministro Ariel Sharon, mas apenas que o legislador apresentou "objeções". Principalmente, prossegue o Haaretz, deverá ser usada a palavra "mortes" em lugar de "assassinatos" nas referências a execuções sumárias, por parte do exército israelense, de ativistas palestinos da intifada. O diretor do departamento árabe da rádio oficial israelense, Edmond Shkayyeh, esclareceu que essas diretrizes ainda não foram aprovadas. O comitê de redação advertiu que o "novo léxico" que se quer aplicar conspira contra a informação correta.

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