Israel incluirá locais santos da Cisjordânia em lista de patrimônio nacional

Decisão anunciada pelo premiê Benjamin Netanyahu provocou críticas da esquerda no país.

BBC Brasil, BBC

21 de fevereiro de 2010 | 18h00

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou, neste domingo, a inclusão polêmica de dois locais sagrados do território ocupado da Cisjordânia na lista do patrimônio nacional do país.

Netanyahu afirmou que o pedido de inclusão do Túmulo dos Patriarcas de Hebron e do Túmulo de Raquel, em Belém, teria sido feito pelo partido ultraortodoxo Shas e já teria sido aprovado.

"Em um tempo de crescente globalização e superficialidade, estamos criando pontos para unir pais e filhos e aproximar os filhos do povo, da terra e da herança judaica e sionista", disse ele, citado pelo portal de notícias Israel News.

Os partidos de direita e os dirigentes dos grupos de colonos judeus em territórios ocupados classificaram a decisão como "histórica".

Mas o principal partido de oposição questionou a inclusão dos dois monumentos na lista de patrimônios nacionais.

"Esta é outra tentativa de misturar as fronteiras entre o Estado de Israel e os territórios ocupados. Só é preciso um pouco de pressão da direita e Netanyahu cede", disse o chefe do partido esquerdista Meretz, Chaim Oron.

O ex-ministro de gabinete palestino, Mustafá Barghouti, disse que a decisão representa uma declaração de Israel de que não há esperança para as negociações de paz.

No ultimo mês de dezembro, Netanyahu anunciou o congelamento temporário, por um período de dez meses, de novas construções em assentamentos judaicos na Cisjordânia. A proposta, no entanto, exclui Jerusalém Oriental.

A Autoridade Palestina, no entanto, já afirmou diversas vezes que Israel deve congelar permanentemente a construção de novos assentamentos antes de voltar à mesa de negociações - uma condição negada por Netanyahu.

Em 24 de janeiro, o premiê israelense assitiu a cerimônias simbólicas de plantação de árvores nos assentamentos judeus na Cisjordânia e declarou que Israel "jamais abandonará essas áreas".

Segundo o repórter da BBC Bob Trevelyan, a visita de Netanyahu buscava, aparentemente, aplacar a ira dos colonos judeus, que se opõem ao acordo de suspender parte da construção de assentamentos por quase um ano.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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