Israel indica que bombardeou a Síria

Ministro da Defesa Ehud Barak sugere que aviões israelenses atacaram comboio sírio que estaria levando armas ao Hezbollah, no Líbano

MUNIQUE, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2013 | 02h04

Pela primeira vez uma autoridade de alto escalão do governo israelense indicou que o Estado judeu de fato bombardeou a Síria na semana passada. Em uma conferência sobre segurança na Alemanha, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, comentou o caso e garantiu que seu governo "fala sério" quando promete impedir que armas sírias cheguem ao Hezbollah.

"Não posso adicionar nada ao que vocês leram nos jornais sobre o que houve na Síria há alguns dias", afirmou Barak a uma plateia de diplomatas, militares e analistas de vários lugares do mundo. Discursando de improviso em inglês, completou: "Falo francamente, o tempo todo, que dizemos - e isso é prova de que quando dizemos algo estamos falando sério - que não achamos que deveria ser permitido levar sistemas de armamento avançado ao Líbano".

Ontem, o jornal The New York Times noticiou, com base em fontes americanas, que Israel desferiu dois ataques quase simultâneos em território sírio. O alvo principal seria um comboio que levava um sistema antiaéreo ultramoderno - as baterias russas SA-17 - ao Líbano, onde seria entregue ao Hezbollah. Em seguida, os jatos teriam atacado o principal centro de produção de armas químicas e biológicas da Síria, na periferia de Damasco. O governo sírio confirma que o local foi atacado por bombardeiros israelenses.

Resposta. Em seus primeiros comentários sobre o caso, Assad afirmou ontem que seu país está preparado para enfrentar Israel, que quer "desestabilizar a Síria". "A Síria, com a consciência de seu povo, o poder de seu Exército e sua adesão ao caminho da resistência, é capaz de encarar os atuais desafios e confrontar qualquer agressão contra o povo sírio", afirmou o presidente, segundo a agência estatal Sana.

O comentário foi feito durante encontro com o principal negociador do programa nuclear iraniano, Saeed Jalili. Teerã é o principal aliado de Damasco e Jalili voltou a prometer apoio contra ameaças ao regime Assad. Ainda ontem, o comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Ali Jaafari, comentou: "Temos a esperança de que a Síria dê a resposta apropriada no momento apropriado". / AP

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